O impasse entre o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) e a reitoria sobre os reajustes salariais e de auxílios trava o fim da greve dos servidores, que começou em 11 de maio de 2026. Em assembleia na quinta-feira (25), a categoria decidiu manter a paralisação, considerando a proposta da Unicamp insuficiente. No dia seguinte (26), a reitoria suspendeu novas negociações, alegando que as propostas atingiram os limites institucionais.
Reivindicações dos servidores
O STU cobra reajuste salarial de 7,52% (percentual reduzido dos 15,97% iniciais) e aumento no vale-alimentação acima dos R$ 50 propostos, além de reajustes no vale-refeição e auxílio-saúde. Também pede equiparação aos valores da USP. Entre as pautas emergenciais estão respeito aos direitos de PCDs, melhorias no transporte fretado, valorização da carreira, redução da jornada, reavaliação de terceirizados, pagamento de progressões e gratificações, e oposição à autarquização da saúde. Outra demanda é o recálculo do tempo de serviço para benefícios, considerando o período da pandemia, respaldado pela lei complementar federal de 12 de janeiro de 2026, sancionada pelo presidente Lula.
Propostas da Unicamp
A Unicamp ofereceu: vale-alimentação equiparado à Unesp, de R$ 1.950 para R$ 2.000; vale-refeição de R$ 43 para R$ 50 por dia; auxílio-saúde para R$ 990 mensais a partir de janeiro de 2027, condicionado à arrecadação do ICMS-QPE de R$ 185,4 bilhões em 2026; e reunião imediata para pauta emergencial. Nenhum benefício teria pagamento retroativo. O reajuste salarial de 3,92%, definido pelo Cruesp, será votado pelo Conselho Universitário em 7 de julho. A reitoria justificou que a universidade projeta déficit superior a R$ 570 milhões em 2026, podendo chegar a R$ 656 milhões com o reajuste já concedido.
Impasse e próximos passos
A reitoria condiciona a retomada das negociações ao fim da greve, mas reafirma compromisso com o diálogo. O STU, por sua vez, avalia a situação e defende a retomada imediata da mesa de negociação. A categoria programou novas discussões em 1º de julho e uma assembleia em 2 de julho para decidir os rumos da paralisação, dependendo do retorno da reitoria sobre a pauta emergencial. Professores e estudantes já encerraram suas greves em junho, após acordos salariais e de permanência estudantil.



