Lei Seca: flagrantes de álcool ao volante mais que dobram no RJ pós-pandemia
Lei Seca: flagrantes de álcool ao volante dobram no RJ pós-pandemia

A Lei Seca completou 18 anos nesta quarta-feira (17). No Rio de Janeiro, a operação de fiscalização criada em 2009, um ano após a entrada em vigor da legislação federal, acumula 17 anos de atuação e tem contribuído para a redução do número de mortes e feridos em acidentes de trânsito desde o início das blitzes. Ao mesmo tempo, os dados mais recentes apontam um sinal de alerta: o percentual de motoristas flagrados dirigindo após consumir bebida alcoólica mais que dobrou no período pós-pandemia.

Mudança de comportamento após a pandemia

Os números mostram uma mudança no comportamento dos condutores após a pandemia de Covid-19. Entre 2014 e 2019, a alcoolemia foi identificada em 4,97% das 1,9 milhão de abordagens realizadas pela fiscalização. Já entre 2022 e abril de 2026, o índice subiu para 10,10% em 1,3 milhão de fiscalizações.

Desde o início da fiscalização no Rio, em 2009, quase 5 milhões de motoristas foram abordados em mais de 42,6 mil operações. Ao todo, mais de 4,5 milhões de testes de etilômetro foram realizados e mais de 360 mil ocorrências envolvendo consumo de álcool ao volante foram registradas.

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Menos mortes e feridos

Os números apontam impacto direto da legislação na segurança viária. Na comparação entre 2008 e 2025, o Estado do Rio registrou queda superior a 21% na taxa de mortes no trânsito. Entre os feridos em acidentes, a redução foi de 38,6%.

A mudança também foi cultural. Ao longo dos últimos 18 anos, a combinação entre álcool e direção deixou de ser encarada por parte da população como uma infração tolerável e passou a ser amplamente condenada. Levantamento citado no livro “Brasil no Espelho” mostra que 95% dos brasileiros consideram desonesto dirigir após consumir bebida alcoólica.

Alerta no pós-pandemia

Apesar dos avanços, os dados recentes mostram uma piora no comportamento dos motoristas fluminenses. Em números absolutos, os casos passaram de 98.754 para 137.920, mesmo com a redução do número de motoristas abordados. Depois dos percentuais elevados registrados em 2023 e 2024, ambos acima de 11%, houve queda para 8,66% em 2025. Os dados parciais de 2026, porém, apontam nova alta: até abril, 9,47% dos condutores fiscalizados apresentaram alcoolemia.

Segundo o deputado federal Hugo Leal, autor da Lei Seca, os números mostram que a legislação produziu uma mudança importante de comportamento, mas que os avanços precisam ser constantemente reforçados por meio de conscientização e fiscalização.

Os dados do Rio acompanham um cenário observado em todo o país. Segundo levantamento da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), mais de 3,2 milhões de infrações relacionadas à Lei Seca foram registradas no Brasil entre junho de 2008 e maio de 2025. Somente em 2025, foram contabilizadas 452.977 infrações. Em 2026, até abril, o país já somava 160.678 registros.

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