Inverno começa mais quente com El Niño; veja impactos no interior de SP
Inverno começa mais quente com El Niño; veja impactos

O inverno começou oficialmente às 05h24 deste domingo (21) e deve ser mais quente que o normal, com chuva dentro da média na maior parte das regiões do interior de São Paulo, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

El Niño influencia a estação

O principal destaque da estação é a influência do El Niño. A meteorologista Ana Avila explica ao g1 que o fenômeno ainda está em fase de desenvolvimento e seus efeitos devem ser sentidos com mais intensidade no fim do inverno e no início da primavera. “A gente pode ter, sim, a influência do El Niño, mas principalmente no final do inverno e começo da primavera, período em que já esperamos temperaturas mais elevadas. Esse é um dos principais impactos do fenômeno na nossa região”, aponta.

Conforme o Inmet, o El Niño ajuda a transportar mais umidade para o Sul e o Sudeste do país, favorecendo a formação de frentes frias que também podem atingir o sul paulista. Apesar da passagem de massas de ar polar, que provocam quedas de temperatura, o El Niño tende a reduzir a duração dos períodos de frio intenso, tornando mais comuns os veranicos — intervalos de alguns dias com temperaturas mais elevadas durante o inverno.

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Riscos de queimadas e doenças respiratórias

O período é tradicionalmente o mais seco na região Sudeste, cenário que favorece a ocorrência e a propagação de queimadas e incêndios florestais, além de contribuir para o agravamento de doenças respiratórias e outros problemas de saúde, segundo o Inmet.

O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e muda padrões de chuva, temperatura e vento em várias regiões do planeta. Embora aconteça no Pacífico, os efeitos acabam se espalhando para diferentes continentes. É por isso que uma mudança na temperatura do mar perto do Peru e do Equador consegue influenciar o clima no Brasil, na Ásia, na África e até na América do Norte.

Nevoeiros e geadas

Durante o inverno, também é comum a formação de nevoeiros e névoa úmida, principalmente nas primeiras horas da manhã. Esses fenômenos acontecem quando o ar frio fica próximo ao solo e podem reduzir a visibilidade, exigindo atenção redobrada dos motoristas, principalmente nas rodovias.

A especialista aponta que as regiões do interior paulista mais suscetíveis a geadas ou temperaturas baixas são as que ficam próximas a áreas de montanhas e serras. “São as que devem ser mais frias”, afirma Ana Avila.

Primeira semana com temperaturas baixas

Ainda de acordo com a meteorologista, a primeira semana da nova estação deve ser marcada por temperaturas mais baixas, cenário que pode se prolongar até o fim de junho. “Vamos começar o inverno com características bem típicas da estação. Aos poucos, principalmente entre o fim de julho e o início de agosto, o risco de temperaturas muito baixas diminui de forma significativa, e a tendência é de que agosto registre temperaturas mais elevadas”, explica.

Em relação às chuvas, a previsão é de volumes dentro da média para a estação na maior parte do interior paulista. “Nós estamos bem numa área de limite. Ao sul do estado, temos uma chance maior de chuvas acima da média, enquanto mais ao norte, chuvas abaixo da média. A nossa região está bem nesse 'divisor de águas'. Então, muito provavelmente, teremos uma grande variabilidade com relação às chuvas, alguns dias de chuva, intercalando com os períodos de seca. A expectativa é de um inverno típico para o interior paulista”, detalha.

O Inmet informou que “para a precipitação, a previsão indica acumulados de chuva ligeiramente acima da média histórica do trimestre no centro-sul do estado, reflexo da atuação de sistemas frontais e instabilidades sobre a Região Sul que podem alcançar a faixa sul do estado e o litoral paulista”.

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