Infestação de cobras assusta moradores de comunidade do Recife
Infestação de cobras assusta moradores no Recife

Na Vila do Papel, comunidade situada na Ilha Joana Bezerra, no Centro do Recife, a presença de cobras dentro das residências virou motivo de alerta e pânico. Há quatro meses, os moradores passaram a se deparar com serpentes em seus quintais e até nos cômodos das casas. A situação chegou a tal ponto que um grupo de vizinhos conseguiu capturar quatro animais, que foram entregues às autoridades ambientais na semana passada.

Resgate da Cipoma e identificação das espécies

Uma equipe da Companhia Independente de Policiamento Ambiental (Cipoma) esteve na localidade e resgatou as quatro cobras já contidas pelos moradores. De acordo com a Polícia Militar, os animais eram jiboias, serpentes que não possuem veneno. Apesar disso, a espécie pode atingir até 4 metros de comprimento, sendo considerada uma das maiores do mundo.

Os moradores temem que, além das jiboias, outras serpentes peçonhentas possam estar frequentando o terreno abandonado próximo às casas. Para eles, o problema teve início por causa de um terreno particular que segue sem manutenção, tomado por vegetação alta e com acúmulo de lixo, o que atrai animais silvestres.

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Biólogo explica a adaptação das serpentes ao ambiente urbano

O biólogo especialista em serpentes Filipe Marcel explicou que as jiboias encontram na área urbana condições propícias para sobreviver. "Elas conseguem se adaptar ao ambiente urbano porque encontram alimento e abrigo com facilidade", afirmou. Segundo ele, o lixo descartado de forma irregular atrai roedores, que são a principal fonte de alimentação das serpentes. Já a vegetação alta funciona como abrigo.

Marcel acrescentou que, por não haver um abrigo natural semelhante ao de uma área de mata, as serpentes acabam entrando nas residências em busca de proteção. O especialista reforçou que moradores sem treinamento não devem tentar capturar ou manusear os animais, pois podem confundir espécies peçonhentas e não peçonhentas. A orientação é isolar o local e acionar os órgãos responsáveis pelo resgate.

Moradores vivem com medo e relatam perda de inquilina

O gestor público Adelson Pereira afirmou que tenta há meses acionar os órgãos competentes para resolver a situação, mas não obtém retorno. Segundo ele, o proprietário do terreno baldio ainda não tomou nenhuma providência para limpar a área.

O medo também já causou prejuízos. O pedreiro Magellt Ferreira de Lima e a autônoma Niedja Ferreira Ramos contaram que perderam uma inquilina da casa que alugam devido à infestação. A família morava no imóvel havia 18 anos e decidiu sair depois de encontrar serpentes no local. Uma delas foi achada em cima da cama, por baixo do lençol, enquanto a moradora dormia.

Niedja destacou que a insegurança aumentou porque muitos moradores não sabem identificar se as cobras são perigosas. Alguns chegaram a colocar roupas entre as brechas das telhas para tentar impedir a entrada dos bichos. Uma das moradoras, conhecida como Dona Rosinha, passou a dormir no terraço da própria casa após encontrar uma serpente em cima da cama. Ela disse que vive em estado de alerta constante.

Prefeitura e Polícia Militar se manifestam

A Secretaria Executiva de Controle Urbano e a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) informaram que vão notificar o proprietário do terreno para que a limpeza seja realizada. Segundo os órgãos, a medida deve facilitar o manejo dos animais silvestres, cujo controle é atribuição de instituições como Ibama, Corpo de Bombeiros e Cipoma.

A Polícia Militar, por sua vez, explicou que as ocorrências com animais silvestres são atendidas após acionamento do Centro de Operações da PM (Copom). No caso registrado nesta semana, uma equipe foi deslocada ao local e realizou o resgate das quatro jiboias, que já haviam sido colocadas pelos moradores em um balde plástico, o que permitiu uma atuação segura.

A Cipoma também esclareceu:

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  • Registros envolvendo animais silvestres na área central do Recife são considerados pouco frequentes, especialmente os relacionados a serpentes.
  • Os atendimentos seguem protocolo operacional padrão, com deslocamento das equipes conforme prioridade e demanda.
  • Ao encontrar um animal silvestre, a orientação é não tentar capturá-lo nem se aproximar.
  • Em casos de invasão de residências ou áreas comuns, a população deve acionar brigadas ambientais municipais, Corpo de Bombeiros Militar ou o Batalhão de Policiamento Ambiental da PMPE.