Greve da CPTM: Justiça impõe multa e contingente mínimo; veja linhas afetadas
Greve CPTM: Justiça impõe multa e contingente mínimo

Na manhã desta terça-feira, 4, os funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) iniciaram uma greve que afeta diretamente a mobilidade de milhões de usuários na região metropolitana de São Paulo. A paralisação, que ocorre após o rompimento das negociações entre o sindicato da categoria e a direção da empresa, levou à suspensão parcial ou total de diversas linhas, causando transtornos e longas filas nas estações.

Justiça determina multa e contingente mínimo

Em resposta à greve, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) determinou, em caráter liminar, que a CPTM mantenha um contingente mínimo de funcionários em atividade para garantir a operação de pelo menos 70% da frota nos horários de pico (das 5h às 9h e das 17h às 20h). A decisão também estipula uma multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento, conforme informações do sindicato e da própria companhia.

A liminar foi expedida após pedido da Procuradoria Regional do Trabalho, que argumentou que a paralisação total colocaria em risco a segurança e o direito de locomoção da população. O sindicato, por sua vez, afirma que a decisão será cumprida, mas ressalta que a categoria permanece mobilizada e que novas assembleias serão realizadas nos próximos dias.

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Linhas afetadas e orientações aos usuários

De acordo com a CPTM, as linhas que operam com restrições são: Linha 7-Rubi (Luz-Francisco Morato), Linha 10-Turquesa (Luz-Rio Grande da Serra), Linha 11-Coral (Luz-Estudantes), Linha 12-Safira (Brás-Calmon Viana) e Linha 13-Jade (Engenheiro Goulart-Aeroporto de Guarulhos). Nessas linhas, os trens circulam com intervalos maiores e em número reduzido, principalmente fora dos horários de pico. A Linha 9-Esmeralda (Osasco-Grajaú) e a Linha 15-Prata (monotrilho) operam normalmente, pois são administradas por outras concessionárias.

A companhia orienta os passageiros a buscarem alternativas de transporte, como o Metrô, os ônibus municipais e intermunicipais, e o sistema de corredores de ônibus. Além disso, recomenda-se que os usuários consultem os canais oficiais da CPTM para obter atualizações em tempo real sobre a operação de cada linha.

Motivos da greve e negociações

A greve foi deflagrada em protesto contra o atraso no pagamento de benefícios, como vale-alimentação e vale-refeição, e contra a falta de reajuste salarial. Segundo o Sindicato dos Ferroviários de São Paulo, a categoria reivindica um aumento de 10% nos salários, além da manutenção do plano de carreira e melhores condições de trabalho. A CPTM, por outro lado, afirma que vem enfrentando dificuldades orçamentárias e que já apresentou uma proposta de reajuste de 5%, que foi recusada pelos trabalhadores.

“A categoria está unida e disposta a negociar, mas não aceita que a empresa descumpra acordos anteriores. A greve é o último recurso para sermos ouvidos”, declarou o presidente do sindicato, em entrevista coletiva na manhã de hoje.

Impacto na população e no transporte

A paralisação afeta diretamente cerca de 3 milhões de passageiros que utilizam diariamente o sistema da CPTM. Muitos trabalhadores relataram atrasos e dificuldades para chegar ao trabalho, enquanto estudantes tiveram que buscar alternativas para chegar às escolas. A Defesa Civil e a Polícia Militar foram acionadas para orientar o trânsito nas proximidades das estações, e a Prefeitura de São Paulo liberou o uso de faixas exclusivas de ônibus em algumas vias para agilizar o fluxo.

Especialistas em mobilidade urbana apontam que a greve evidencia a fragilidade do sistema de transporte sobre trilhos e a necessidade de investimentos em manutenção e em novas linhas. “A dependência da CPTM é enorme, e qualquer paralisação gera um efeito cascata em toda a cidade”, afirmou o urbanista Marcos Santos, professor da Universidade de São Paulo.

Próximos passos e negociação

Uma nova rodada de negociações entre o sindicato e a CPTM está prevista para a tarde desta terça-feira, mediada pelo TRT-2. Caso não haja acordo, a greve pode se estender pelos próximos dias, o que agravaria ainda mais a situação dos usuários. A companhia informou que está aberta ao diálogo, mas que dependerá da viabilidade financeira para atender às reivindicações.

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Enquanto isso, a orientação para os passageiros é planejar viagens com antecedência, considerar horários alternativos e utilizar o aplicativo da CPTM para acompanhar a situação das linhas em tempo real.