Um projeto social no Rio de Janeiro está utilizando o futebol como ferramenta para ensinar liderança, autoestima e direitos a meninas das zonas Norte e Oeste. O Pretas em Campo, desenvolvido pela ONG Empodera, atende cerca de 130 meninas e adolescentes de Santa Cruz, Pedra de Guaratiba e Ilha do Governador.
Futebol como ferramenta educativa
Além dos fundamentos do esporte, as participantes discutem temas como racismo, violência de gênero, autoestima e direitos. A fundadora da ONG, Jane Moura, explica que o projeto surgiu para oferecer um espaço seguro para meninas que enfrentam barreiras sociais e preconceitos.
"O Pretas em Campo vem como uma resposta, um lugar seguro, para que elas desenvolvam sua autoestima e ocupem espaços que não são ocupados geralmente por elas por uma questão de pressão e preconceito. O projeto conecta a prática do futebol como ferramenta de empoderamento", afirma.
Reflexão sobre questões sociais
Nas aulas, enquanto aprendem regras e fundamentos como impedimento, escanteio ou falta, as alunas refletem sobre questões sociais como racismo e violência de gênero. Uma participante destaca: "Eu aprendi o meu lugar de mulher no esporte, e foi muito legal. Aprendi a me dar melhor com as pessoas também".
Metodologia inovadora
Kathely Martins, ex-aluna de 24 anos, hoje atua como técnica e professora. Ela explica como os temas sociais são incorporados aos exercícios: "Pegamos um fundamento como o passe e fazemos exercícios de condução com bola. Chegamos a um cone com informações sobre discriminação. Elas fazem a condução, pegam a informação, dão o passe e voltam. Depois, nomeiam os conceitos: é racismo estrutural? Racismo recreativo? Construímos as temáticas por meio do fundamento".
Projeto gratuito
O ciclo completo do Pretas em Campo dura dois anos e é totalmente gratuito. As participantes recebem uniforme, lanche, vale-refeição e auxílio transporte. As inscrições abrem no início de cada ano, e as vagas para 2026 já foram preenchidas.



