A cobrança feita por flanelinhas em áreas de lazer do Rio de Janeiro segue ocorrendo mesmo com a lei que proíbe a prática. Em pontos como o Aterro do Flamengo, a Lagoa Rodrigo de Freitas e as praias da Zona Sul, motoristas relatam que os valores chegam a R$ 40 para garantir uma vaga, surpreendendo quem visita esses locais.
Cobrança abusiva em pontos turísticos
De acordo com denúncias de frequentadores, os flanelinhas atuam principalmente em regiões de grande movimento, como em frente aos quiosques da orla e nos estacionamentos improvisados próximos a parques. A tabela informal varia de R$ 5 a R$ 40, dependendo da localização e do horário. Durante fins de semana e feriados, os preços tendem a aumentar, aproveitando a alta procura por vagas.
A prática é mais comum nas proximidades da Praia de Ipanema, do Parque do Flamengo e da Lagoa, onde o estacionamento regular é escasso. Muitos motoristas, preocupados com a segurança do veículo, acabam pagando por medo de represálias, mesmo sabendo que a cobrança é ilegal.
Legislação e fiscalização insuficiente
A atividade de flanelinha é crime de violência ou grave ameaça, segundo a Lei 13.455/2017, e também é tipificada como contravenção penal. No Rio, a Guarda Municipal já realizou operações de combate à prática, mas a fiscalização é esparsa e não resolve o problema de forma definitiva. Os próprios agentes reconhecem que a falta de efetivo e a rotatividade dos flanelinhas dificultam a atuação.
Moradores da região afirmam que a situação se arrasta há anos. “Todo fim de semana é a mesma coisa. Eles chegam antes, ocupam as ruas e exigem o pagamento. A gente não tem a quem recorrer na hora”, diz um motorista que preferiu não se identificar. A falta de estacionamentos públicos amplia o problema, empurrando os condutores para a informalidade.
Impacto para os motoristas
Além do custo financeiro, a cobrança gera insegurança e constrangimento. Muitos já foram vítimas de vandalismo por se recusarem a pagar. A Polícia Civil orienta que as vítimas registrem boletim de ocorrência, mas a subnotificação é alta. Especialistas apontam que a solução passa por investimento em estacionamentos rotativos e fiscalização eficiente com apoio de câmeras e agentes de trânsito.
Enquanto isso, os motoristas que desejam aproveitar as áreas de lazer do Rio precisam arcar com a surpresa. A recomendação é chegar cedo, buscar locais com estacionamento regulamentado e, em caso de abordagem, acionar a Guarda Municipal pelo telefone 153 ou a Polícia Militar pelo 190.
A prefeitura foi procurada para comentar as denúncias, mas não respondeu até a publicação desta matéria. A Guarda Municipal informou, em nota, que realiza rondas preventivas e que os agentes estão orientados a agir em caso de flagrante. No entanto, a sensação dos frequentadores é de que a prática continua longe de ser resolvida.



