Falta de insumos para bomba de insulina afeta diabéticos em Mococa
Falta de insumos para bomba de insulina em Mococa

Pacientes com diabetes tipo 1 em Mococa, interior de São Paulo, estão enfrentando sérias dificuldades para dar continuidade ao tratamento devido à falta de insumos essenciais para o funcionamento das bombas de insulina. O equipamento, que substitui a função do pâncreas liberando doses controladas de insulina, é vital para o controle da glicose no organismo. A prefeitura, que deveria fornecer os insumos mensalmente, admite problemas financeiros com a empresa fornecedora.

Pacientes relatam desabastecimento crítico

O comerciante Luiz Desuó Filho, que depende da bomba de insulina, descreveu a situação como uma "bomba-relógio". Ele e sua esposa, Carla Maria Rafaldinis Desuó, entraram na Justiça para garantir o fornecimento dos insumos. Em 23 de junho, Luiz conseguiu retirar parte dos materiais, mas o cateter — componente que leva a insulina ao corpo — estava faltando. Ao retornar à Farmácia Municipal, foi informado de que a compra estava temporariamente suspensa. "É uma luta longa, faz bastante tempo que a gente vem, falta. Às vezes tem a insulina, mas não tem o cateter", disse Carla.

A professora Rilda Alves, mãe de dois filhos com diabetes tipo 1, relatou que a filha desenvolveu retinopatia diabética, complicação que pode levar à cegueira, devido à falta de insumos. O filho, que também usa bomba, abriu mão do equipamento para que a irmã pudesse continuar o tratamento. "Meu filho tirou a bomba porque não tem os insumos e a minha filha hoje já tem retinopatia diabética", afirmou. Ela explicou que não tem condições financeiras de arcar com os custos e que, mesmo tendo obtido uma decisão judicial favorável para o filho, a filha ainda não foi contemplada.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Dificuldades no monitoramento e risco à saúde

A recepcionista Ana Luiza da Silva, que mora sozinha, está com a bomba funcionando sem o sensor de monitoramento contínuo de glicose, o que a impede de controlar adequadamente os níveis de açúcar no sangue. "Para mim é muito ruim. Eu moro sozinha, é mais difícil ainda. Porque, se eu não tiver isso [sensor], é a minha vida, é a minha salvação", desabafou. A atendente comercial Maria Aparecida Boarati, cujo filho usa a bomba há 12 anos, destacou que o equipamento é essencial para evitar episódios de hipoglicemia grave, que podem levar à perda de consciência.

As famílias pedem a normalização urgente da entrega dos insumos. "Que a gente consiga ter tudo normalizado como era, porque normaliza um tempo, [depois] falta. E nesse tempo que falta, como que a gente fica? Não é fácil", afirmou Ana Luiza.

Prefeitura alega impossibilidade temporária de aquisição

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Mococa informou que atende 15 pacientes por meio de decisões judiciais que determinam o fornecimento contínuo de bombas de insulina e insumos. O investimento anual ultrapassa R$ 1 milhão, integralmente suportado pelo município. A prefeitura esclareceu que, embora a responsabilidade pela saúde seja compartilhada entre União, Estados e Municípios, as decisões judiciais atribuíram a Mococa a obrigação de custear integralmente o tratamento.

Devido a pendências financeiras acumuladas junto à empresa responsável pelo fornecimento dos produtos, surgiram dificuldades para novas aquisições. A administração tentou regularizar a situação, inclusive com proposta de parcelamento dos débitos, mas não houve solução compatível com as finanças municipais. "Não se trata de uma decisão administrativa de interromper o tratamento nem de qualquer questionamento ao direito dos pacientes. A situação decorre de uma impossibilidade material e temporária de aquisição dos insumos", afirmou a prefeitura.

A prefeitura informou que está adotando medidas administrativas e judiciais para buscar uma solução que assegure a continuidade dos tratamentos, incluindo submeter a situação ao Poder Judiciário para encontrar uma alternativa juridicamente segura.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar