Mais de 100 ex-funcionários da Monte Cristo sem salários após cassação
Ex-funcionários da Monte Cristo sem salários após cassação

Mais de 100 ex-funcionários da Auto Viação Monte Cristo, uma das empresas de ônibus mais antigas de Belém, continuam sem receber salários atrasados, benefícios e verbas rescisórias após a cassação da licença da companhia pela Prefeitura. O processo de cassação, iniciado após sucessivas paralisações e protestos por atrasos nos pagamentos, também provocou mudanças na operação de cinco linhas do transporte coletivo da capital paraense.

Reorganização das linhas

De acordo com a Secretaria de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel), três dos cinco itinerários que eram operados pela Monte Cristo já foram assumidos por outras empresas. As linhas CDP–Providência passaram a ser operadas pela Nova Marambaia; Pedreira–Nazaré pela Arsenal; e Pedreira–Lomas A pela Santa Rosa. Já os itinerários Sacramenta–São Brás e Alcindo Cacela–José Malcher ainda aguardam definição. A Segbel informou que segue em tratativas para encontrar empresas que assumam a operação desses dois trajetos restantes.

Enquanto a transição não se completa, a secretaria realiza uma operação assistida para reduzir os impactos aos passageiros. A Segbel também determinou o reforço da frota em empresas que operam trajetos semelhantes, como forma de minimizar os transtornos durante o período de adaptação.

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Trabalhadores em situação precária

Os ex-funcionários da Monte Cristo enfrentam grave situação financeira. Sames Santos, motorista que trabalhou por quatro meses sem receber salário antes da cassação, relatou que tem recorrido a trabalhos informais para sustentar a família. "Tira um bico ali, um bico aqui... tô tentando sobreviver", disse.

Fundada em 1969, a Monte Cristo era uma das empresas de ônibus mais tradicionais em atividade na capital paraense. Nos últimos anos, e especialmente nos meses que antecederam a cassação, motoristas e cobradores realizaram protestos e paralisações para cobrar salários atrasados e outros benefícios trabalhistas. A situação se agravou até que a Prefeitura de Belém decidiu cassar a licença da empresa.

Ação judicial e perspectivas

O advogado do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belém (Sintrebel), Rogério Friza, afirmou que a entidade pretende ajuizar uma ação coletiva para buscar o pagamento das verbas devidas. "Nós vamos trabalhar com a ideia de ação coletiva para buscar esses direitos na Justiça", declarou.

Segundo o sindicato, cerca de 40 motoristas e cobradores já foram contratados pelas empresas que assumiram parte das linhas antes operadas pela Monte Cristo. A Segbel informou que solicitou às novas operadoras que deem prioridade à contratação dos trabalhadores da empresa antiga. Ainda assim, a maioria dos ex-funcionários segue sem previsão de receber os valores atrasados. Sames Santos resumiu o sentimento geral: "Que resolva logo, porque é direito nosso e a gente tem que correr atrás".

A situação expõe não apenas a crise financeira da Monte Cristo, mas também os desafios do transporte público em Belém, onde a descontinuidade de serviços e o não pagamento de salários afetam diretamente a vida de centenas de famílias. A expectativa é que a ação coletiva e as negociações em andamento possam trazer uma solução nos próximos meses.

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