A espatódea (Spathodea campanulata), árvore de flores alaranjadas e origem africana, voltou a gerar debate ambiental em São Paulo. Um projeto de lei na Assembleia Legislativa propõe restringir seu plantio no estado, sob alegação de riscos a abelhas e outros polinizadores. Nas redes sociais, a espécie ganhou o apelido de 'matadora de abelhas', mas a ciência ainda não confirma essa relação.
Evidências científicas dividem opiniões
O engenheiro-agrônomo Harri Lorenzi, fundador do Jardim Botânico Plantarum em Nova Odessa (SP), afirma que as pesquisas disponíveis são insuficientes para uma conclusão. 'São raros os trabalhos científicos relacionados a este tema, que continua sem consenso', diz. Estudos conduzidos há cerca de 20 anos no Jardim Botânico Plantarum compararam a mortalidade de abelhas-sem-ferrão em flores de espatódea com outras espécies da mesma família. 'Não encontramos números significativamente maiores até um nível estatístico de 5% de probabilidade', explica Lorenzi. No entanto, ele ressalta que o estudo não foi publicado em periódico revisado por pares.
Espécie exótica, mas não invasora
Embora seja exótica, a espatódea não é considerada invasora. 'Ela não invade outras áreas a menos que seja levada pelo homem. As sementes podem ser disseminadas pelo vento, porém não são muito viáveis a ponto de estabelecer populações sem controle', diferencia Lorenzi. Espécies exóticas são aquelas fora de sua área natural; apenas uma parcela se torna invasora, causando impactos ambientais.
Impactos ambientais e segurança urbana
Segundo Lorenzi, não há evidências de outros impactos relevantes da espatódea sobre a biodiversidade. 'Absolutamente nenhum. Além do efeito negativo não comprovado sobre a fauna, não se constatou híbridos naturais ou populações sem controle na natureza.' Ele também alerta que a árvore não é adequada para vias públicas devido ao grande porte e ao risco de queda de transeuntes por causa da suculência das flores.
Substituição gradual por nativas
Lorenzi defende que árvores adultas não devem ser removidas apenas por serem espatódeas, mas que novos plantios priorizem espécies nativas. 'Árvores já adultas não deveriam ser removidas porque o plantio de novas espécies não é algo automático em áreas públicas. Quando entrarem em senescência ou morte, nos novos plantios ela deve ser evitada porque sempre é desejável priorizar o plantio de espécies nativas em todas as situações.' O consenso entre especialistas é que a arborização urbana deve privilegiar árvores nativas, mais adaptadas aos ecossistemas brasileiros e que oferecem alimento e abrigo para a fauna local.



