O desejo por autonomia e companhia tem impulsionado o crescimento de comunidades 50+ no Brasil, inspiradas no modelo de 'cohousing' da Dinamarca e dos Estados Unidos. O conceito, que combina moradias privadas com espaços compartilhados e gestão coletiva, ganha forma em projetos como o Vila Puri, em Petrópolis (RJ), e outras iniciativas em Campinas e Mogi das Cruzes (SP).
Vila Puri: pioneirismo em Petrópolis
O Vila Puri, localizado na área rural de Brejal, em Petrópolis, é um dos primeiros empreendimentos do tipo no país. As reuniões para sua criação começaram em 2019, e 11 das 18 casas previstas serão entregues em outubro de 2026. O projeto foi inspirado por modelos dinamarqueses e norte-americanos de cohousing, que priorizam a vida colaborativa entre pessoas com mais de 50 anos.
Segundo os idealizadores, o objetivo é oferecer um ambiente que una privacidade e convivência, combatendo o isolamento social comum na terceira idade. Cada morador tem sua casa individual, mas áreas como jardins, cozinha coletiva e salas de estar são compartilhadas. As decisões sobre a gestão do espaço são tomadas em assembleias periódicas.
Demanda crescente por autonomia e interação
O cohousing atende a uma demanda crescente entre idosos que buscam envelhecer com autonomia, mas sem abrir mão da companhia. 'As pessoas querem ter sua independência, mas também querem saber que há alguém por perto', afirma Maria Helena, uma das participantes do Vila Puri. 'Aqui, podemos compartilhar refeições, atividades e cuidados, sem perder a privacidade.'
De acordo com dados do IBGE, a população brasileira com 60 anos ou mais já ultrapassa 30 milhões de pessoas, e a expectativa é que esse número dobre até 2050. Esse cenário impulsiona a busca por alternativas habitacionais que promovam qualidade de vida e envelhecimento ativo.
Desafios: custos e etarismo estrutural
Apesar do entusiasmo, o modelo enfrenta desafios no Brasil. O custo dos terrenos e da construção ainda é elevado, o que limita o acesso a pessoas com maior poder aquisitivo. Além disso, o etarismo estrutural – preconceito contra idosos – dificulta a aprovação de projetos e a obtenção de financiamento.
'O etarismo é uma barreira real', explica Carlos Alberto, especialista em habitação colaborativa. 'Muitos bancos e seguradoras ainda veem idosos como risco, e as prefeituras nem sempre entendem o conceito.' Apesar disso, iniciativas como o Vila Puri mostram que é possível superar esses obstáculos com organização e parcerias.
Exemplos em Campinas e Mogi das Cruzes
Além de Petrópolis, outras cidades brasileiras também registram movimentos de cohousing 50+. Em Campinas (SP), um grupo de 15 famílias está desenvolvendo um projeto em um bairro residencial, com foco em sustentabilidade e convivência. Em Mogi das Cruzes (SP), uma comunidade menor já está em fase de construção, com previsão de entrega para 2027.
Esses exemplos indicam que o cohousing pode se tornar uma alternativa viável para uma parcela crescente da população idosa brasileira, que busca envelhecer com dignidade, autonomia e companhia.



