Rafael Pereira Dias, de 68 anos, e Maria Neuza Pinheiro Ricardino, de 81, são a prova de que o amor pode surgir em qualquer fase da vida. Eles se conheceram há oito anos na Associação Casa Padre Luigi Brusadelli, localizada em Santana, no Amapá, e desde então construíram uma história de afeto que atravessa os corredores do abrigo onde ambos vivem.
Rafael chegou à instituição há 14 anos, e Maria pouco depois. O encontro dos dois aconteceu em um momento de adaptação a um novo lar, mas o olhar acolhedor logo deu lugar a um sentimento maior. O relacionamento floresceu e, hoje, o casal enfrenta juntos os desafios da rotina. "O amor é tudo. O importante é o amor, e ele supera tudo", afirma Rafael. Maria também se emociona ao lembrar do primeiro contato: "É ótimo, eu gostei muito quando ele veio para cá, fiquei alegre da vida. Eu me apaixonei logo por ele", contou.
O relacionamento do casal é uma das marcas da casa. Rafael e Maria encontram forças um no outro para enfrentar as limitações da idade e a distância da família. Eles dividem as refeições, as caminhadas pelo pátio e as conversas no fim da tarde, demonstrando que o afeto se fortalece na convivência diária. Funcionários e voluntários do abrigo veem no casal um exemplo de que a felicidade não tem idade.
A história do casal tem um pano de fundo de dificuldades. A casa que os acolheu enfrenta uma séria crise financeira. O espaço funciona há 38 anos, com trabalho voluntário, e depende de doações da comunidade e do poder público para continuar operando.
Quatro décadas de acolhimento em risco
A Associação Casa Padre Luigi Brusadelli atende atualmente 44 idosos em caráter permanente. A estrutura física permite que o número de vagas seja ampliado, mas a falta de recursos impede qualquer expansão. Enquanto isso, a demanda só cresce: 37 pessoas estão na lista de espera por uma vaga.
O presidente da associação, Jocinaldo Nogueira Borges, revela o tamanho do problema. "Nossa arrecadação caiu 73% e não está sendo fácil manter a instituição. Contamos com a ajuda da comunidade e do poder público. Há recursos em tramitação pelo Estado, mas eles demoram a chegar", afirma. Esse cenário de incerteza financeira ameaça não apenas a ampliação do serviço, mas a própria continuidade das atividades.
A queda de 73% na arrecadação pressiona diretamente as contas da instituição, que precisa arcar com alimentação, produtos de higiene, medicamentos e contas de consumo básico para manter os 44 moradores. A administração é forçada a priorizar o essencial e adiar qualquer plano de expansão.
Assistência multidisciplinar aos idosos
Mesmo em meio às dificuldades, o abrigo busca oferecer uma assistência completa. Os residentes têm acesso a alimentação diária, acomodação adequada, fisioterapia, atendimento odontológico, acompanhamento psicológico e assistência social. Esses serviços exigem profissionais qualificados e materiais específicos, o que eleva os custos mensais.
O trabalho dos voluntários é outro pilar fundamental. Eles atuam em diferentes frentes, desde a preparação das refeições até o acompanhamento afetuoso dos moradores. Sem a dedicação dessas pessoas, seria impossível manter a qualidade do atendimento com os recursos disponíveis.
Para oferecer esses serviços, a instituição depende de parcerias com a comunidade e de materiais específicos, além do trabalho de profissionais voluntários. A manutenção da qualidade exige investimento contínuo em insumos, e a redução nas receitas torna o cenário ainda mais desafiador.
Doações e trabalho voluntário como salvação
Quem quiser ajudar pode procurar a associação diretamente na Avenida José de Anchieta, 445, no bairro do Hospitalidade, em Santana. Também é possível obter mais informações pelo telefone (96) 98414-9251. Doações em dinheiro, alimentos, materiais de limpeza e até mesmo oferta de trabalho voluntário são bem-vindas.
Em um momento em que a arrecadação caiu 73%, cada doação tem um impacto significativo. A associação também disponibiliza um telefone para contato e informações: (96) 98414-9251. A expectativa é que a solidariedade da comunidade ajude a garantir o futuro do abrigo e a qualidade de vida de seus moradores.
Cada contribuição representa mais do que um gesto de solidariedade; representa a possibilidade de garantir um lugar seguro e digno para dezenas de pessoas na terceira idade. E, para casais como Rafael e Maria, também assegura que o amor continue tendo espaços para viver. A mobilização da comunidade é urgente para reverter o quadro de queda nas doações e permitir que a casa de longa permanência continue escrevendo histórias de esperança por muitos anos.



