Uma história que começou com um esquecimento
A Capela do Bom Jesus da Cana Verde, localizada no quilômetro 10 da Rodovia Emerenciano Prestes de Barros, no bairro Indaiatuba, entre Sorocaba e Porto Feliz (SP), completa 100 anos de devoção em 2026. Tudo começou em 1926, quando o tropeiro Feliciano Bueno pernoitou em um rancho coberto de palha na rota entre as duas cidades. Após comprar um quadro com a imagem do Bom Jesus da Cana Verde em uma feira, ele se distraiu em um jogo de cartas com amigos e esqueceu a peça no local. Francisco de Souza Moraes, proprietário das terras, encontrou a obra e a pendurou no esteio do rancho. Ao retornar, Feliciano Bueno viu o quadro e, penalizado, deixou-o como oferta, segundo conta José Aparecido Machado Simões, de 74 anos, frequentador assíduo da comunidade. A pintura original, de 50 por 80 centímetros com moldura, ainda existe e está preservada no altar da capela atual.
Devoção e tradição comunitária
Logo após a fixação do quadro, os moradores instituíram uma reza obrigatória em todo primeiro domingo do mês. Para organizar a rotina, foram criados cargos tradicionais mantidos até hoje: o festeiro, o capitão do mastro e os alferes da bandeira. Eles são responsáveis por organizar as festas, buscar prendas, convidar leiloeiros e preparar o almoço tradicional. Ao longo do século, a estrutura de pau a pique foi reconstruída duas vezes: a primeira para maior conforto e segurança, a segunda para ampliar o espaço e modernizar a cozinha, conforme explica José Aparecido. As antigas rezas mensais evoluíram para encontros semanais aos sábados, celebrados por um padre e pelo diácono Pedrinho. Muitas graças foram alcançadas, mas a comunidade trabalha no registro oficial da história.
Relíquia histórica descoberta
Durante os preparativos para o centenário, os integrantes da capela encontraram uma pedra d'ara contendo relíquias de Santa Celestinha e Santa Vitória. O objeto sagrado carrega a assinatura do bispo dom Aguirre, datada de 16 de agosto de 1926. A pedra d'ara é um bloco de pedra, geralmente mármore, colocado no centro do altar para a Eucaristia, com uma cavidade onde são depositadas relíquias de santos. Essa descoberta reforça o valor histórico do patrimônio para a Arquidiocese de Sorocaba.
Programação do centenário
As comemorações começam em janeiro de 2026, sob coordenação do pároco padre João Alfredo Pires de Campos e do diácono Pedro Israel Paifer. A programação inclui barracas de pastel, espetinhos, leilões e bingo beneficente, com renda revertida para a manutenção da capela. Confira as datas:
- Quinta-feira (30 de janeiro): missa às 19h30, seguida de barracas de pastel e espetinho.
- Sexta-feira (31 de janeiro): missa às 19h30, seguida pelo grande bingo do centenário.
- Sábado (1º de fevereiro): missa às 18h, seguida de quermesse com leilão de prendas.
- Domingo (2 de fevereiro): missa solene às 10h, procissão com andor enfeitado de margaridas, almoço às 12h e leilão de prendas vivas às 15h.
Entre os dias 8 e 16 de agosto, será realizada a Novena do Centenário, com o tema: "Sobre esta Rocha: 100 anos de fé na Comunidade Bom Jesus da Cana Verde". As missas ocorrem às 18h30 nos fins de semana e às 19h30 nos dias úteis, com participação de diversos sacerdotes. O encerramento será no domingo, 16 de agosto, às 10h, com Missa Solene presidida pelo arcebispo metropolitano de Sorocaba, dom José Roberto Fortes Palau. A data coincide com a assinatura da pedra d'ara por dom Aguirre, fechando o ciclo de 100 anos. "É importantíssimo, porque demonstra o valor deste patrimônio histórico para a Arquidiocese", celebra José Aparecido.



