Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aponta que o Brasil necessita de R$ 400 bilhões em investimentos para transformar a mobilidade urbana nas principais regiões metropolitanas. Atualmente, os brasileiros perdem, em média, 62,42 minutos por dia no deslocamento entre casa e trabalho, número que supera uma hora e revela a precariedade do transporte coletivo.
187 projetos para reduzir o tempo de deslocamento
O levantamento do BNDES identificou 187 projetos prioritários de mobilidade urbana, abrangendo desde a expansão de metrôs e corredores de ônibus até a integração de modais. A meta é reduzir o tempo médio de viagem para 56,06 minutos até 2054, uma diminuição de cerca de 10%. Para isso, serão necessários aportes anuais médios de R$ 13,3 bilhões até lá.
Segundo o estudo, a maior parte dos recursos deve ser destinada a projetos de transporte sobre trilhos, como metrôs e trens urbanos, que têm maior capacidade de passageiros e menor impacto ambiental. Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília concentram a maior demanda.
Especialistas pedem planejamento e governança
Embora os investimentos sejam vultosos, especialistas ouvidos pelo BNDES alertam que apenas o dinheiro não basta. “É fundamental melhorar a gestão dos projetos e garantir um financiamento sustentável de longo prazo”, afirma trecho do relatório. A falta de planejamento integrado e a descontinuidade administrativa são apontadas como os principais entraves para a eficácia das obras.
O estudo enfatiza que a governança metropolitana precisa ser fortalecida, com a criação de instâncias que reúnam prefeituras, estados e União para tomar decisões conjuntas sobre os sistemas de transporte. Atualmente, muitos projetos são fragmentados e não dialogam entre si, gerando ineficiências e desperdício de recursos.
Impacto na economia e na qualidade de vida
A melhoria da mobilidade urbana teria impactos positivos diretos na economia do país. Reduzir o tempo de deslocamento aumenta a produtividade dos trabalhadores e diminui os custos operacionais das empresas. Além disso, contribui para a redução de emissões de gases do efeito estufa, já que um transporte público eficiente desestimula o uso de carros particulares.
O BNDES projeta que os R$ 400 bilhões em investimentos gerariam um retorno social e econômico significativo, com a criação de empregos na construção civil e na operação dos novos sistemas. No entanto, o banco ressalta que a implementação dos projetos exige disciplina fiscal e parcerias com o setor privado, por meio de concessões e PPPs.
O relatório conclui que, sem as reformas na gestão e no financiamento, o Brasil corre o risco de perpetuar um cenário de congestionamentos, poluição e perda de tempo que já custa bilhões de reais por ano à sociedade. A mobilidade urbana sustentável é, portanto, uma das agendas mais urgentes para o desenvolvimento do país nas próximas décadas.



