A Biblioteca Pública Municipal Ricardo Ferraz de Arruda Pinto, localizada em Piracicaba (SP) e apontada pela prefeitura como a primeira do interior do estado de São Paulo, tornou-se alvo de denúncias do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Piracicaba e Região. A entidade alega que o espaço enfrenta uma situação de abandono, com presença de animais peçonhentos, risco de incêndio e outros problemas estruturais.
Denúncia formalizada
Em ofício enviado à Secretaria Municipal de Cultura nesta quarta-feira (10), o sindicato solicita providências urgentes e a vistoria de uma área utilizada para armazenamento de materiais dentro do prédio. A denúncia aponta acúmulo de resíduos, armazenamento inadequado e riscos sanitários que comprometem a segurança de servidores e usuários.
Questionada pelo g1, a administração municipal contestou as informações e afirmou que a dedetização será realizada no espaço em breve. A prefeitura destacou que o alvo da queixa é uma reserva técnica com acesso restrito aos funcionários, onde são feitas triagens e separações de livros doados.
Riscos apontados
Durante uma inspeção realizada pelo sindicato em maio, foram relatados acúmulo de poeira e aparecimento de aranhas e escorpiões. A entidade afirma que a situação pode dificultar a limpeza e representar riscos à saúde dos servidores, favorecendo:
- O surgimento de doenças respiratórias e alergias;
- A proliferação de insetos e roedores;
- Risco de acidentes de trabalho devido à obstrução de áreas de circulação.
O risco de incêndio também chamou a atenção. Segundo o ofício, o grande volume de papel, livros e caixas de papelão armazenados no local constitui material altamente combustível, podendo colocar em risco servidores, usuários da biblioteca e o patrimônio histórico.
Pedidos à administração
O sindicato cobrou um cronograma para regularizar a situação e pediu esclarecimentos sobre o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) do imóvel. Não foram encontrados registros da licença no portal on-line disponibilizado pelo Corpo de Bombeiros. O AVCB certifica que o imóvel possui condições adequadas de segurança, incluindo extintores, sinalização de emergência, equipamentos de combate a incêndio e portas corta-fogo.
A Prefeitura argumentou que a equipe recebe grandes volumes de doações e que a triagem é contínua. Segundo a Secretaria Municipal de Cultura, a Secretaria de Obras realizou uma vistoria técnica no local para elaborar um projeto de manutenção.
Origem da denúncia
A vistoria foi motivada por uma denúncia recebida pela ouvidoria do sindicato. Os diretores encontraram grande quantidade de livros, apostilas, documentos e caixas de papelão deixados diretamente sobre o piso, comprometendo a preservação do acervo e a segurança do ambiente. As fotos divulgadas são de maio e foram feitas por funcionários da biblioteca. O ofício foi protocolado inicialmente na Secretaria Municipal de Educação em 29 de maio e só foi encaminhado à Secretaria Municipal de Cultura nesta quarta-feira.
Sobre a biblioteca
A Biblioteca Pública Municipal Ricardo Ferraz de Arruda Pinto foi criada em 1939 e leva o nome do prefeito responsável por sua fundação. Considerada a primeira biblioteca do interior do estado de São Paulo, a unidade possui 96 mil volumes no acervo e 18 mil usuários cadastrados. Após funcionar em duas salas da antiga Câmara Municipal e passar por diversos endereços, foi transferida para um prédio próprio na Rua Saldanha Marinho, no Centro, em 2010.



