BH publica edital para reconstruir barragem do Parque Lagoa do Nado
BH publica edital para reconstruir barragem da Lagoa do Nado

A Prefeitura de Belo Horizonte publicou no Diário Oficial deste sábado (1º) o edital da licitação para reconstruir a barragem do Parque Municipal Fazenda Lagoa do Nado, na Região Norte da capital. O reservatório se rompeu em novembro de 2024, durante um forte temporal. A obra está orçada em R$ 18,3 milhões e será contratada no modelo integrado, em que a mesma empresa elabora o projeto e executa os serviços. Pelo edital, a vencedora terá 540 dias para concluir os trabalhos, contados a partir da ordem de serviço. As propostas serão abertas em 29 de outubro deste ano; depois disso, ainda há etapas de julgamento, habilitação e assinatura do contrato antes do início das obras.

O que prevê o projeto de reconstrução

O projeto inclui a construção de uma nova barragem em gabião, estrutura feita com pedras e telas metálicas, e uma ponte ligando as duas margens, voltada para pedestres e veículos. Também estão previstas a reurbanização da área afetada e a recuperação ambiental da lagoa, que ficou vazia após o rompimento. Do valor total de R$ 18,3 milhões, cerca de R$ 3,8 milhões são destinados aos projetos e R$ 14,6 milhões à execução da obra.

Com a contratação integrada, a empresa terá de apresentar os projetos básico e executivo antes de iniciar as intervenções. Esse modelo é adotado pela administração para concentrar a responsabilidade técnica e evitar incompatibilidades entre o projeto e a execução.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Sucessivos atrasos e situação do parque

Embora as ações emergenciais de contenção tenham sido realizadas ainda no primeiro semestre de 2025, a obra definitiva passou por sucessivos adiamentos. Em março de 2025, a Secretaria de Obras previa contratar os serviços no segundo semestre daquele ano. Em maio de 2026, a prefeitura afirmou que o edital seria publicado em junho; a publicação, porém, só aconteceu neste sábado. Não há data exata para a entrega. O g1 questionou a prefeitura sobre os motivos dos atrasos, mas não obteve retorno.

O parque foi reaberto parcialmente à população em dezembro de 2024, com prioridade para as áreas de lazer e esporte, como playground, academia ao ar livre, quadras e pista de skate. Segundo a prefeitura, o parque segue com “algumas áreas e portarias temporariamente fechadas”, entre elas o entorno da lagoa, que permanece vazio após o rompimento.

O rompimento e a mudança na versão oficial

A barragem cedeu em 13 de novembro de 2024, durante um forte temporal. Com o colapso, o reservatório esvaziou por completo e a água chegou a atingir a Avenida Dom Pedro I, que ficou interditada por algumas horas. Ninguém ficou ferido, mas o parque foi fechado por tempo indeterminado e equipes da prefeitura recolheram peixes e cágados que viviam no lago. Na ocasião, o então secretário municipal de Obras e Infraestrutura, Leandro César Pereira, atribuiu a queda ao “volume exacerbado de chuva”.

A explicação, porém, mudou meses depois. Em 13 de março de 2025, após uma sindicância, a prefeitura concluiu que o rompimento foi causado por falha humana, e não por problema estrutural. Segundo a Secretaria de Obras, a saída de água da barragem estava parcialmente bloqueada por três peças de madeira chamadas “stop logs”. Esses dispositivos haviam sido retirados durante as chuvas para baixar o nível da água e foram recolocados de forma indevida depois. A lagoa ficou vazia e o entorno segue interditado.

História e importância do parque

O espaço se tornou parque por meio de mobilização da comunidade local nos anos 1980. Até a década de 1960, a área fazia parte da Fazenda Engenho Córrego do Nado, de propriedade da família do ex-prefeito de Belo Horizonte Américo Renné Giannetti. Com a ocupação dos bairros do entorno, a chamada Fazendinha Janete passou a ser usada como área de recreação e lazer, até a inauguração do parque em 1994.

A reconstrução da barragem é fundamental para a recuperação completa da lagoa e para a liberação integral do parque. Até lá, a população continua sem acesso à região do espelho d’água, uma das áreas mais tradicionais do equipamento público da Região Norte.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar