Avô de 64 anos caminha mais de 300 km para pagar promessa pela cura do neto
Avô de 64 anos caminha 300 km para pagar promessa

Há 14 anos, Célio Januário, de 64 anos, fez uma promessa: caminhar de Goiânia até Aruanã, no noroeste de Goiás, se seu neto, então com 3 anos e meio, fosse curado de uma grave alergia alimentar e uma infecção nas articulações. Após a remissão total da doença, ele aguardou o momento certo e, na última quinta-feira (24), iniciou a jornada de mais de 300 quilômetros, concluída na madrugada do domingo (26).

A promessa e a caminhada

Célio, que é maratonista, enfrentou três dias de desafios físicos e espirituais. "Foram três dias marcados por desafios, superação e renovação espiritual, nos quais pude sentir a presença divina a cada passo", escreveu ele. O percurso foi dividido em três etapas: no primeiro dia, de Goiânia a Cidade de Goiás; no segundo, até Faina; e no terceiro, até Aruanã. Apoiado pela família, ele contou com a presença da filha Rizielme Carvalho e do genro, que o acompanharam de carro e bicicleta em parte do trajeto.

Apesar da experiência como corredor de longa distância, Célio sofreu com calos e bolhas nos pés. Em vídeos gravados pela família, ele aparece relatando as dores e fazendo refeições à beira da estrada. Na madrugada de domingo, por volta das 2h, ele finalizou o percurso ao lado do neto, hoje com 17 anos, e o abraçou emocionado. "Essa promessa foi à altura do sofrimento do meu neto. [...] Tive o privilégio de vê-lo forte e saudável, caminhando alguns quilômetros ao meu lado até a conclusão do percurso", disse Célio.

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O estado de saúde do neto

Guilherme Carvalho Costa adoeceu aos 3 anos e meio. De acordo com a mãe, Rizielme, ele apresentou um quadro complexo: alergia alimentar severa seguida de uma patologia articular que causava dores crônicas e restrição de mobilidade. "Busquei amparo na fé e realizei um voto de peregrinação, a pé, de Goiânia a Aruanã, em sinal de gratidão por um eventual restabelecimento de sua saúde", explicou Célio. Após um ano e meio de tratamento, o menino teve remissão total da doença.

Rizielme contou que o pai tentara cumprir a promessa em anos anteriores, mas diversos motivos impediram. "Acreditamos que não era a vontade de Deus antes, mas neste ano Deus permitiu e ocorreu tudo bem do início ao fim do percurso", afirmou. Durante a caminhada, Célio dormiu apenas duas vezes: na primeira noite, em sua casa na Cidade de Goiás; na segunda, na casa de amigos em Faina.

Emoção e gratidão

Guilherme, hoje com 17 anos, expressou orgulho e gratidão pelo avô. "Essa promessa foi mais uma prova de amor que ele fez", disse ao g1. A neta também acompanhou parte do trajeto. Rizielme, em publicação nas redes sociais, refletiu sobre o significado da jornada: "Quando olho para a sua caminhada, que é meu pai, compreendo que a vida é feita de semeaduras e colheitas. [...] Talvez essa seja a maior herança que alguém possa deixar: um amor tão verdadeiro que continua florescendo, geração após geração."

A fé e a superação

A história de Célio comoveu familiares e amigos. A caminhada de mais de 300 quilômetros em três dias simboliza não apenas a fé inabalável, mas também o amor de um avô que não mediu esforços para honrar uma promessa feita em um momento de desespero. Ele percorreu estradas de Goiás, região conhecida pela forte religiosidade, e sua jornada se tornou um testemunho de perseverança. A família documentou cada etapa, desde a partida em Goiânia até a chegada em Aruanã, onde o neto o esperava.

Para Célio, o sofrimento físico foi superado pela alegria de ver o neto saudável. "Essa promessa foi à altura do sofrimento do meu neto", repetiu. A caminhada, que poderia ter sido adiada mais uma vez, aconteceu neste ano, segundo a família, por permissão divina. A neta e o neto agora guardam a lembrança de um gesto que, nas palavras de Rizielme, "continua florescendo" como exemplo de amor e fé.

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