O volume de atividades turísticas no Brasil registrou queda de 0,4% em maio na comparação com abril, interrompendo uma trajetória de alta que havia sido de 0,7% no mês anterior. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgada nesta quinta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Desempenho por segmentos
Entre os segmentos pesquisados, o transporte aéreo foi o que mais contribuiu para a retração, com queda de 1,2% no volume de serviços. Já os serviços de alojamento e alimentação apresentaram estabilidade, com variação de 0,1% ante abril. O setor de locação de veículos e turismo cultural também registraram recuos, de 0,8% e 0,5%, respectivamente.
Segundo o IBGE, a queda de maio foi influenciada principalmente pelo fim dos efeitos sazonais do feriado de Tiradentes e do Dia do Trabalhador, que haviam impulsionado a demanda em abril. Além disso, a instabilidade econômica e a alta da inflação continuam pressionando o poder de compra das famílias, afetando viagens e lazer.
Comparação anual e acumulado
Na comparação com maio de 2025, o volume de atividades turísticas cresceu 2,3%, o que representa o quinto mês consecutivo de alta anual. No acumulado do ano (janeiro a maio), o setor registra expansão de 1,8% frente ao mesmo período de 2025. No acumulado em 12 meses, o crescimento é de 1,5%.
"Apesar das altas anuais, o setor ainda opera 4,7% abaixo do nível de fevereiro de 2020, período pré-pandemia", destacou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo. "A recuperação tem sido gradual e desigual entre os segmentos, com o transporte aéreo ainda muito dependente da demanda corporativa e do turismo internacional."
Impacto regional
Regionalmente, o volume de atividades turísticas caiu em 12 das 27 unidades da federação em maio ante abril. As maiores quedas foram observadas no Distrito Federal (-2,1%), Rio de Janeiro (-1,5%) e São Paulo (-0,9%). Por outro lado, os estados que mais cresceram foram Maranhão (2,3%), Pernambuco (1,7%) e Rio Grande do Sul (1,2%).
O IBGE também informou que o índice de receita nominal do setor de turismo caiu 0,6% em maio ante abril, mas subiu 5,1% na comparação anual. O resultado reflete o repasse de custos para o consumidor, especialmente com combustíveis e passagens aéreas.
Perspectivas
Para os próximos meses, a expectativa é de que o setor continue enfrentando desafios, como a alta dos juros e a inflação persistente. No entanto, a temporada de férias escolares de julho e a realização de eventos como a Copa América podem dar algum impulso à demanda. "O segundo semestre costuma ser mais forte para o turismo, especialmente com as férias e as festas de fim de ano. Mas a recuperação plena depende de um cenário macroeconômico mais favorável", concluiu Lobo.



