Amplitude térmica de quase 20°C na região de Campinas
Amplitude térmica de quase 20°C em Campinas

Uma diferença de quase 20°C entre o amanhecer e a tarde marcou esta quinta-feira (16) na região de Campinas (SP). Em Morungaba (SP), os termômetros saíram de 4,2°C pela manhã para 24°C no início da tarde, uma amplitude térmica de 19,8°C. Na cidade de Tuiuti (SP), a variação foi de 18,3°C (de 4,7°C para 23°C), enquanto em Monte Mor (SP) chegou a 19,5°C (de 5,5°C para 25°C), segundo dados do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro).

Oscilação comum nesta época do ano

Segundo a meteorologista do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri-Unicamp), Ana Ávila, essa oscilação é comum nesta época do ano e ocorre pela atuação de um sistema de alta pressão sobre a região. "É bastante comum essa situação quando nós estamos sob influência de uma alta pressão, que nada mais é do que a descida do ar da atmosfera em direção à superfície. Esse ar chega na superfície mais seco e inibe a formação de nuvens."

Na prática, é justamente a ausência de nuvens que faz o termômetro oscilar tanto entre o amanhecer e a tarde. Durante o dia, a radiação solar atravessa a atmosfera com facilidade e aquece o solo, elevando rapidamente as temperaturas. À noite, porém, acontece o processo inverso. As temperaturas diminuem rapidamente porque não há nuvens. O fenômeno é chamado de perda radioativa. "Tudo o que foi armazenado durante o dia com a radiação solar se perde rapidamente para a atmosfera. Então, a gente não tem aquele calor armazenado e as temperaturas declinam acentuadamente durante a noite", explica Ana.

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Impacto na saúde

Além do desconforto de precisar trocar de roupa ao longo do dia, a amplitude térmica também pode afetar a saúde. Segundo a médica otorrinolaringologista Gerusa Foschini, o tempo seco e as temperaturas elevadas durante a tarde favorecem o ressecamento das vias respiratórias. "Quando você tem uma temperatura muito elevada, costuma ter um clima seco associado. Então, o muco que protege as vias aéreas diminui e o ressecamento aumenta a quantidade de poeira suspensa no ar. Com isso, a gente tem um aumento das crises alérgicas."

Já o frio intenso favorece outro tipo de problema. "Quando está muito frio, as pessoas costumam ficar mais fechadas em casa. As crianças ficam mais tempo nas escolas e a gente procura ambientes aquecidos. Isso propicia quadros virais", afirma. Ou seja: enquanto a tarde seca pode desencadear alergias, o frio da manhã e da noite favorece a circulação de vírus respiratórios em ambientes fechados.

Como se proteger

A recomendação dos especialistas é adotar cuidados simples para enfrentar dias de grande variação de temperatura. O principal deles é vestir-se em camadas. Assim, é possível retirar o casaco conforme o aquecimento ao longo do dia e voltar a usá-lo quando a temperatura cair. "A primeira coisa é a gente ter várias camadas de roupa para ir se adaptando conforme o dia for passando, se hidratar muito e ficar preocupado com as pessoas que podem sofrer mais com essas temperaturas, como crianças e idosos", orienta Gerusa.

A hidratação merece atenção, mesmo nos dias frios. "É importante usar soro no nariz, colírio nos olhos e, dentro de casa, umidificador ou até uma toalha molhada. Isso ajuda a aumentar a umidade, diminuir a poeira suspensa no ar e reduzir os quadros alérgicos." Os cuidados são ainda mais importantes para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias, que costumam sentir com mais intensidade os efeitos da combinação entre frio, calor e baixa umidade do ar.

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