Em convenção partidária realizada em Brasília neste domingo (2), o PL confirmou oficialmente as candidaturas de Bia Kicis e Michelle Bolsonaro ao Senado Federal pelo Distrito Federal. O evento marcou a formalização da chamada "chapa pura" do partido — formada por duas mulheres — para a disputa das duas vagas em jogo na casa legislativa. A decisão foi tomada após um período de indefinição, especialmente em relação ao nome da ex-primeira-dama, que chegou a ser considerado incerto dentro da legenda.
Essa será a primeira eleição disputada por Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e natural de Ceilândia, região administrativa do DF. O lançamento da candidatura é tratado pelo PL como uma estratégia para aproximar a sigla do público feminino. Michelle assumiu a presidência do PL Mulher em 2023, mas deixou o comando da ala feminina depois de uma sequência de discussões com o enteado Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República.
Disputa interna e "sinal divino"
A pré-candidatura de Michelle Bolsonaro chegou a ser uma dúvida real no PL após as discussões com Flávio Bolsonaro. Ela deixou a presidência do PL Mulher e chegou a avaliar a saída da legenda. De acordo com relatos de aliadas, Michelle teria afirmado que aguardava um "sinal divino" para tomar a decisão final sobre concorrer ao Senado. A expectativa em torno do anúncio foi alimentada nas últimas semanas por articulações internas, até que o partido resolveu oficializar o nome na convenção deste domingo.
Casada com Jair Bolsonaro desde 2007, quando ele ainda era deputado federal, Michelle Bolsonaro se tornou uma das principais figuras do bolsonarismo após a passagem do marido pela Presidência da República. No PL, ela passou a exercer papel de ponte com o eleitorado feminino, e o partido aposta na sua popularidade para ampliar a votação no DF — região de origem da candidata.
Bia Kicis: trajetória e atuação na Câmara
Integrante da mesma chapa, Bia Kicis é deputada federal em segundo mandato e preside o diretório distrital do PL. A parlamentar, formada em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), tem longa trajetória no serviço público do Distrito Federal. Foi subprocuradora-geral do DF e se aposentou no cargo em 2016, antes de ingressar na política partidária.
A deputada é outro nome próximo da família Bolsonaro. Com a escolha do PL, a sigla aposta em duas candidaturas femininas para a disputa do Senado, numa estratégia que une perfil político e inserção local.
Apoio à reeleição de Celina Leão
Durante a convenção, o PL também confirmou apoio à reeleição da atual governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). A decisão foi anunciada no mesmo evento em que foram homologadas as candidaturas ao Senado. Com isso, a sigla reforça sua aliança com o PP na capital e amplia a frente de apoio à gestão estadual.
Calendário eleitoral: convenções, registro e votação
O anúncio das candidaturas ocorre no período de convenções partidárias, que será aberto na segunda-feira (20). Os partidos têm até 5 de agosto para escolher seus candidatos. Na sequência, os nomes precisam ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 15 de agosto, data limite para oficializar as disputas. A campanha eleitoral começa no dia seguinte ao fim do prazo de registro.
Nas eleições de 4 de outubro, os brasileiros vão às urnas para escolher presidente, governador, senador — com duas vagas por estado —, deputado federal e deputado distrital. No Distrito Federal, o PL espera, com as duas candidaturas, consolidar sua presença no eleitorado feminino e na base bolsonarista.



