Senado dos EUA apresenta plano para evitar shutdown até dezembro
Senado dos EUA propõe gastos para evitar shutdown

Os líderes da maioria no Senado dos Estados Unidos apresentaram neste domingo, 2, uma proposta de gastos de curto prazo que assegura a manutenção do financiamento das agências federais até 11 de dezembro. O objetivo é evitar uma paralisação do governo — o chamado shutdown — justamente no período da campanha para as eleições de meio de mandato, que ocorre em novembro. A expectativa é que a votação aconteça ainda nesta semana, antes do recesso parlamentar de agosto.

Negociação antecipada em ano eleitoral

A proposta já havia passado pela Câmara dos Representantes em versão semelhante. No Senado, porém, os parlamentares passaram os últimos dias negociando a inclusão de exceções solicitadas pela Casa Branca. Segundo os democratas, ficou de fora do texto o pedido de US$ 1 bilhão para a construção de navios de guerra da chamada “classe Trump”.

A antecipação da negociação é incomum. Normalmente, o Congresso deixa para as últimas horas antes do fim do ano fiscal, em 30 de setembro, a aprovação de medidas provisórias de financiamento. Desta vez, os senadores buscam resolver a questão com dois meses de antecedência, um movimento que reduz o risco de paralisação em plena corrida eleitoral.

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Prioridade antes do recesso

O líder da maioria no Senado, John Thune, classificou a aprovação da medida como sua principal prioridade antes do recesso de agosto. “Precisamos garantir que eles não enfrentem uma terceira”, afirmou, em referência às duas paralisações recordes registradas nos últimos dez meses. A declaração destaca a preocupação dos parlamentares em evitar novos episódios de shutdown, que já causaram prejuízos à máquina pública e à imagem dos dois partidos.

A medida provisória é necessária porque o Congresso enfrenta dificuldades para aprovar os cerca de 12 projetos de orçamento anual até 30 de setembro. A extensão temporária permitirá que os parlamentares ganhem tempo para negociar o financiamento de longo prazo, sem interromper o funcionamento de departamentos e agências federais.

Divergências permanecem no orçamento

Apesar do acordo emergencial, as divergências de fundo continuam. Os republicanos defendem um aumento expressivo dos gastos com defesa e cortes em outras áreas. O presidente Donald Trump propôs reduzir em 10% os programas não relacionados à defesa, enquanto prevê alta de cerca de 44% nos gastos militares. A proposta enfrenta resistência dos democratas, que argumentam que os cortes atingiriam áreas sociais e programas essenciais.

Uma nova paralisação antes das eleições, no entanto, é um cenário que os dois partidos querem evitar. Pesquisas indicaram que nenhum deles escapou da responsabilidade pelo shutdown de 43 dias ocorrido no ano passado. Outra disputa, envolvendo o financiamento do Departamento de Segurança Interna, levou 76 dias para ser resolvida após divergências democratas sobre os recursos destinados ao ICE e à Patrulha de Fronteira.

Regra de subsídios é adiada

O texto também adia uma controversa regra da administração Trump sobre a concessão de subsídios. A proposta exigiria que um alto funcionário indicado politicamente em cada agência revisasse os pedidos com base, entre outros critérios, no alinhamento às prioridades do presidente. A republicana Susan Collins, presidente do Comitê de Apropriações do Senado, e a democrata Patty Murray afirmaram que a regra não entrará em vigor enquanto estiver valendo o projeto provisório.

Democratas temem que a medida permita ao governo usar subsídios para punir adversários e favorecer aliados, além de reduzir o poder do Congresso sobre o orçamento. A Casa Branca, por sua vez, afirma que a iniciativa busca aumentar a prestação de contas e evitar o desperdício de recursos públicos.

O projeto agora aguarda a votação no plenário do Senado, prevista para os próximos dias. Se aprovado, seguirá para sanção presidencial, garantindo a continuidade das operações federais até o fim do ano. A tramitação acelerada, no entanto, não elimina o impasse em torno do orçamento definitivo, que deve voltar ao centro do debate após as eleições de novembro. Segundo a agência Associated Press, as negociações continuam em aberto e uma nova crise não está descartada se os parlamentares não chegarem a um acordo de longo prazo.

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