Corpus Christi: origem dos tapetes que enfeitam ruas de Matão
Origem dos tapetes de Corpus Christi em Matão

A cidade de Matão, no interior de São Paulo, revive nesta quinta-feira (4) a tradição dos tapetes de Corpus Christi, que colorem as ruas do centro e atraem milhares de visitantes. A celebração, que já dura 78 anos, é uma das mais emblemáticas do país e reúne missas, apresentações culturais, shows e a procissão. A expectativa é de que mais de 50 mil pessoas participem do evento.

Como surgiram os tapetes em Matão

A tradição de enfeitar as ruas para a procissão de Corpus Christi chegou a Matão em 1948, trazida por famílias que moravam ao redor da paróquia. Inspirados em costumes portugueses, os moradores, junto com o padre da cidade, começaram a decorar o trajeto com flores naturais, como mangueira, bico-de-papagaio e primavera. Com o tempo, passaram a usar materiais regionais, como bagaço de cana, palha de arroz, serragem, sal, açúcar, casca de ovo e tampinhas de garrafa.

Do vidro à dolomita

No fim dos anos 1950, o vidro moído tornou-se o principal material, descoberto por acaso. Mais brilhante e pesado, resistia ao vento e preservava os desenhos. A fama cresceu em 1961, com reportagem da revista “O Cruzeiro”, tornando Matão referência nacional. Desde 2007, a dolomita (calcário em pó) substituiu o vidro, e a areia também é usada para efeitos e cores.

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Arte que ajuda a contar histórias

Artistas locais criam grandes painéis com passagens bíblicas e símbolos eucarísticos. O primeiro quadro artístico foi feito em 1958 por Victório D'Agostino. Hoje, cada trecho combina trabalho comunitário e criação artística, formando um percurso de fé e cultura.

Uma tradição que atravessa gerações

Para o coordenador artístico Élio Floriano, o Corpus Christi une religião, arte e participação popular. A celebração mantém viva a tradição centenária da Igreja Católica, em que o Santíssimo Sacramento percorre as ruas. Em Matão, tornou-se patrimônio cultural, mobilizando gerações que há quase oito décadas colorem as ruas.

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