A Marcha para Jesus em São Paulo, realizada nesta quinta-feira (4), prometia ser um evento estritamente religioso, mas acabou se transformando em um palco de embate político entre o senador Flávio Bolsonaro e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar do apelo inicial para evitar manifestações partidárias, o evento reuniu milhares de fiéis e líderes políticos, com discursos que mesclaram fé e política.
Discurso de Flávio Bolsonaro
Do alto de um trio elétrico, Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, fez duras críticas ao governo petista. Em sua fala, ele associou o atual governo ao 'mundo do mal' e convocou os presentes para uma 'guerra espiritual' com o objetivo de 'expulsar o mal' do país. A declaração gerou reações imediatas entre os participantes, que dividiram opiniões entre apoio e reprovação.
Posicionamento de Lula
Em contrapartida, o presidente Lula, que não compareceu ao evento, fez questão de se pronunciar por telefone com o apóstolo Hernandes, um dos organizadores da Marcha. Lula explicou que se ausentou para não tirar 'proveito' de 'coisa sagrada', destacando que evita celebrar eventos religiosos em períodos eleitorais para não parecer usar a fé como instrumento político. A ligação foi vista como uma tentativa de marcar posição sem se envolver diretamente na polêmica.
Repercussão entre os fiéis
A Marcha para Jesus deste ano, que tradicionalmente reúne multidões na capital paulista, foi marcada por orações e louvores, mas também por discursos de alinhamento político. Enquanto alguns participantes apoiaram abertamente as falas de Flávio, outros criticaram a politização do evento. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o governador Tarcísio de Freitas também marcaram presença, ao lado de Flávio, no trio elétrico, reforçando a presença de figuras políticas no evento.
Mensagem de unidade religiosa
Organizadores da Marcha para Jesus reforçaram que o evento tem como objetivo principal a celebração da fé cristã, mas reconheceram que a presença de políticos é inevitável em um evento de grande porte. 'A política faz parte da vida, mas nosso foco é a adoração a Deus', afirmou um dos líderes religiosos. Apesar das tensões, a Marcha transcorreu sem incidentes graves, com milhares de pessoas ocupando as ruas do centro de São Paulo.



