O cantor e sanfoneiro Flávio José declarou que não irá se apresentar na Bahia durante os festejos juninos de 2026, após tomar conhecimento de uma recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) relacionada ao valor de seu cachê. A manifestação foi feita em um comentário publicado em uma rede social, nesta quarta-feira (3), e ocorre em meio às negociações conduzidas pelo órgão para reduzir gastos públicos com contratações artísticas para o São João.
Na publicação, o artista demonstrou insatisfação com a possibilidade de redução do valor acertado para suas apresentações e afirmou que se sentiu desvalorizado. "E este Ano a Bahia ficará sem minha presença. Às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste, eu recebo a notícia que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê. Enquanto outros artistas que nada tem a ver com forró ganham rios de dinheiro. É de um desrespeito sem tamanho. Por esse motivo não irei à Bahia este ano. Lamentável, deixei de vender minhas datas para estados que realmente me valorizam. Priorizei a Bahia durante toda minha carreira e hoje recebo essa informação como gratidão que o estado me devolve", escreveu o artista.
Reunião com MP-BA e impacto nos shows
A equipe que representa o artista na Bahia informou ao g1 que terá uma reunião com o MP-BA na próxima segunda-feira (8), quando será discutida a manutenção ou não do cachê contratado. A partir do encontro, deverá ser tomada uma decisão sobre a realização das apresentações. O g1 entrou em contato com o Ministério Público da Bahia e com a assessoria de comunicação do cantor Flávio José, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
De acordo com o Painel Junino do Ministério Público, que reúne informações sobre as contratações realizadas pelos municípios baianos para os festejos de São João, Flávio José surge com uma contratação na cidade de Dias D'Ávila, na Região Metropolitana de Salvador, pelo valor de R$ 350 mil. Em outro comentário em uma rede social, Flávio José informou que o cancelamento dos shows no São João afetaria cerca de 15 cidades baianas.
Contexto das negociações do MP-BA
A declaração de Flávio José ocorre após uma série de reuniões promovidas pelo MP-BA com empresários e representantes do setor artístico para discutir os valores cobrados nos festejos juninos deste ano. Segundo o órgão, os encontros resultaram em acordos para redução de cachês em aproximadamente 180 contratos firmados por prefeituras baianas, gerando uma economia estimada em R$ 8,8 milhões aos cofres públicos em 2026. As negociações foram conduzidas com a participação do Centro de Autocomposição e Construção de Consensos (Compor), vinculado ao Ministério Público da Bahia.
Até o momento, aderiram aos acordos os artistas e bandas Toque Dez, Solange Almeida, Igor Kannario, Batista Lima, Adelmário Coelho, Caviar com Rapadura e Forró dos Plays. De acordo com o MP-BA, as reduções somam mais de R$ 5 milhões em 52 contratos da banda Toque Dez; R$ 1,3 milhão em 20 contratos de Solange Almeida; R$ 1 milhão em 20 contratos de Igor Kannario; R$ 750 mil em 25 contratos de Batista Lima; R$ 502 mil em 29 contratos de Adelmário Coelho; R$ 95 mil em 19 contratos da banda Caviar com Rapadura; e R$ 82,8 mil em 14 contratos do grupo Forró dos Plays.
O Ministério Público sustenta que as negociações têm como objetivo adequar os valores das contratações à realidade financeira dos municípios, preservando recursos públicos sem comprometer a realização das festas.



