O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), anunciou nesta quarta-feira (10) um pacote de ações ambientais no estado, com destaque para o investimento de R$ 23,5 bilhões na despoluição dos rios Tietê e Pinheiros até o ano de 2029. A declaração ocorreu um dia após o surgimento de uma mancha de espuma tóxica no Rio Tietê, na altura das cidades de Itu e Salto, e foi feita durante um evento no Parque Ecológico do Tietê, na Zona Leste da capital paulista, em alusão à Semana Mundial do Meio Ambiente.
No evento, Tarcísio também anunciou um investimento de R$ 24 milhões para revitalizar a ciclovia do Rio Pinheiros, que vem sendo alvo de assaltos e sofre com a falta de iluminação durante os treinos de ciclismo. A revitalização será realizada em parceria com a empresa privada Emae, privatizada em 2024 pelo governador e que, há cerca de três meses, passou a ser controlada pela também privatizada Sabesp.
Monitoramento e ampliação da captação de lixo
De acordo com o governo paulista, os dois rios contarão com monitoramento por satélite das condições da água, com dados abertos ao público e em tempo real, além da instalação de boias inteligentes para monitoramento da qualidade das águas. O governador também afirmou que a captação de lixo no Rio Pinheiros será ampliada em 20%.
Apesar das promessas, Tarcísio evitou estabelecer uma data para a despoluição total dos dois rios, mas declarou: “Daqui alguns anos, vamos ter um Tietê e um Pinheiros completamente diferentes do que a gente tem hoje. Muitos tentaram, ninguém foi em frente. E a gente foi e estamos fazendo a diferença. Não é milagre, é técnica”.
Espuma tóxica no Tietê
O Rio Tietê amanheceu coberto por uma espuma tóxica e com baixo volume de água nesta terça (9) e quarta-feira (10), na região de Itu e Salto. Imagens feitas por drone mostram a situação do local. O fenômeno é causado pela poluição vinda da capital paulista, como detergentes e produtos químicos, que formam uma camada branca ao serem agitados pela força da água nas quedas do rio.
Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a falta de chuvas recentes agrava o problema. A seca diminui a vazão do rio e concentra os poluentes, intensificando a formação da espuma. A última vez que o Tietê ficou completamente tomado pela espuma foi em 13 de maio, quando a substância permaneceu na água por mais de duas semanas, até o dia 29.
Apesar de a paisagem atrair turistas no Complexo da Cachoeira, a Defesa Civil e a prefeitura alertam para os riscos. A recomendação é que as pessoas, especialmente crianças, não se aproximem da margem, pois o contato da espuma com a pele e os olhos pode causar irritações.
O que causa a espuma?
O fenômeno é um problema crônico na cidade e resulta da combinação de três fatores principais:
- Poluição: o esgoto doméstico e industrial não tratado, que desce da Grande São Paulo, é rico em fósforo e resíduos de detergentes.
- Falta de chuvas: a estiagem recente na região diminui a vazão do rio, o que aumenta a concentração dos poluentes na água.
- Quedas d'água: ao chegar a Salto e Itu, a agitação da água nas pedras funciona como um “liquidificador”, batendo os produtos químicos e gerando a espuma que cobre a paisagem.



