PF mira prefeito de Paço do Lumiar em nova fase da Operação Sem Desconto
PF mira prefeito de Paço do Lumiar em operação do INSS

O prefeito de Paço do Lumiar, Frederico de Abreu Silva Campos, conhecido como Fred Campos, tornou-se alvo da mais recente fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (4). A ação investiga um esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com foco em suspeitos de lavagem de dinheiro obtido por meio da fraude. Além de Fred Campos, a operação também mirou a esposa, a filha e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, e o advogado Willer Tomaz.

Ligação com a Qualitech Engenharia

De acordo com a Polícia Federal, Fred Campos é investigado por sua ligação com a Qualitech Engenharia Ltda., empresa que teria movimentado valores milionários no circuito financeiro relacionado ao núcleo de Weverton Rocha. Fundada em 1993, a Qualitech tem como sócios Fred Campos e seu pai, Flávio Henrique Silva Campos. Segundo a decisão judicial, à qual o g1 teve acesso, a Qualitech transferiu R$ 5 milhões para a Petro São Francisco Combustíveis Ltda. em julho de 2024. No mesmo dia, o posto de combustíveis repassou a mesma quantia para a DJ Agropecuária Comércio e Prestação de Serviços Ltda.

A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa. As informações descritas na decisão são hipóteses investigativas apresentadas pela Polícia Federal e não representam condenação dos envolvidos.

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Defesa de Fred Campos

Em postagem nas redes sociais, Fred Campos afirmou que foi surpreendido pela apuração envolvendo um repasse realizado por uma de suas empresas, a Petro São Francisco. Ele declarou que o repasse "é resultado de um contrato de arrendamento e não há qualquer ilegalidade. Se toda a documentação tivesse sido solicitada, ela teria sido apresentada prontamente". O prefeito também tranquilizou a população: "Quero tranquilizar a todos: nossas empresas seguem funcionando normalmente e reafirmo que o nosso trabalho por Paço continua. Já estamos adotando todas as medidas jurídicas cabíveis para esclarecer os fatos".

Esta não é a primeira vez que Fred Campos é alvo de operação da PF. Em agosto de 2024, durante a campanha para a Prefeitura de Paço do Lumiar, ele foi investigado na Operação 18 Minutos, que apurava a suposta comercialização de decisões judiciais no Maranhão. Naquela ocasião, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a familiares de Fred Campos e a uma empresa do grupo empresarial da família.

Transferência de R$ 5 milhões

De acordo com a decisão do STF, a Qualitech aparece na investigação como uma possível fonte intermediária de recursos destinados à estrutura empresarial ligada ao núcleo de Weverton Rocha. Além da transferência de R$ 5 milhões, outros valores provenientes da Qualitech teriam entrado nas contas investigadas antes de serem enviados à Rocha Holding Patrimonial Ltda. e a uma empresa relacionada a Erlânio Furtado Luna Xavier, descrito no documento como sócio ou parceiro relevante nos postos Petro São Francisco e Petro São José. A decisão não informa os valores dessas outras operações atribuídas à Qualitech.

Para a Polícia Federal, as movimentações precisam ser analisadas para esclarecer a origem do dinheiro, a justificativa dos pagamentos e quem seria o beneficiário final dos recursos.

Vínculo objetivo com os fatos

A inclusão de Fred Campos entre os alvos da investigação se deve à sua vinculação com a Qualitech Engenharia. Ao analisar o pedido da Polícia Federal, o ministro André Mendonça, do STF, afirmou que a representação não atribui a Frederico uma atuação direta na estrutura supostamente comandada pelo advogado Willer Tomaz de Souza, outro investigado no caso. No entanto, o ministro considerou que existe um vínculo objetivo entre Frederico e os fatos investigados, em razão da posição dele na empresa que teria originado recursos de grande valor.

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A investigação busca esclarecer: quais contratos justificariam os pagamentos; se houve faturamento correspondente; qual era a origem dos recursos; qual foi a finalidade das transferências; quem seria o beneficiário final dos valores; e se as operações comerciais ocorreram de fato. Segundo a decisão, as buscas poderão confirmar a existência de negócios comerciais regulares ou indicar um eventual uso da Qualitech como canal para alimentar o circuito financeiro investigado.

Apreensões autorizadas pelo STF

A decisão autorizou a Polícia Federal a procurar contratos, notas fiscais, comprovantes, comunicações, registros contábeis e bancários relacionados às movimentações investigadas. Também poderão ser apreendidos celulares, computadores, tablets, discos rígidos, dispositivos de armazenamento, agendas, planilhas, documentos fiscais, procurações, escrituras e certificados digitais que tenham relação objetiva com os fatos apurados. Os investigadores foram autorizados a acessar dados já armazenados nos aparelhos apreendidos, além de conteúdos existentes em serviços de nuvem, desde que sejam acessíveis por meio de credenciais disponíveis nos equipamentos.

André Mendonça proibiu o acesso indiscriminado a informações sem relação com a investigação. A decisão também não autoriza a interceptação de comunicações futuras, nem a ativação remota de câmeras ou microfones.

Investigação começou a partir de celular atribuído a senador

A apuração foi instaurada a partir de informações extraídas de um celular atribuído ao senador Weverton Rocha e de elementos produzidos no âmbito da Operação Sem Desconto. Segundo a Polícia Federal, o material indicaria uma estrutura de movimentação de valores por meio de empresas, contas pessoais e familiares, postos de combustíveis, sociedades patrimoniais, contratos, dinheiro em espécie e bens registrados em nome de terceiros. A hipótese dos investigadores é que os recursos teriam sido fragmentados, compensados e transferidos entre diferentes pessoas e empresas para ocultar ou dissimular a origem, a movimentação, a propriedade e a disponibilidade do dinheiro.

No caso de Fred Campos, a investigação está concentrada nas movimentações originadas da Qualitech e no caminho percorrido pelos valores até empresas relacionadas ao núcleo investigado.

Nova fase da Operação Sem Desconto

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (4) uma nova fase da Operação Sem Desconto, que mira um esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. A ação desta terça mira suspeitos de lavar dinheiro obtido de forma criminosa a partir da fraude. Entre os alvos estão a esposa, a filha e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, e o advogado Willer Tomaz. O senador Weverton Rocha não foi alvo de mandados nesta fase da operação, mas é investigado no caso e já havia sido alvo de buscas em uma etapa da investigação deflagrada em dezembro do ano passado.

Em nota, o senador Weverton Rocha afirmou que "todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais". A defesa do advogado Willer Tomaz afirmou que a esposa do senador Weverton trabalha no escritório de advocacia, e que ele "confia na apuração serena dos fatos, certo de que sua conduta em nada se relaciona com o objeto da operação". Policiais federais cumpriram 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, no Distrito Federal e Maranhão.

Complexa engrenagem de lavagem de dinheiro

Investigadores da Polícia Federal apontam que o senador Weverton Rocha exercia papel central em uma complexa engrenagem de lavagem de dinheiro. Segundo a PF, o parlamentar atuava diretamente ao formular pedidos, indicar beneficiários, cobrar repasses, gerenciar imóveis e interferir em decisões patrimoniais. As conclusões constam de uma decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou a nova fase da operação, que surgiu após suspeitas de corrupção no INSS, envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Ao analisar material apreendido no celular de Weverton Rocha, os investigadores constataram um "quadro mais amplo", caracterizado pelo fluxo de milhões de reais em contas pessoais, familiares e empresariais, além do uso de dinheiro em espécie e movimentações patrimoniais de alto valor. A estrutura ligada a Willer Tomaz funcionava como um verdadeiro "hub financeiro, patrimonial e logístico" colocado à disposição dos beneficiários, entre eles o senador Weverton. A rede de Willer Tomaz fornecia sustentação por meio de empresas, imóveis, aviões, pilotos e operadores financeiros.

Papel das parentes de Weverton

No relatório encaminhado ao STF, a PF descreve as parentes de Weverton e as atribuições delas no esquema investigado. Conforme os investigadores: Samya Lorene de Oliveira Bernardes Rocha, esposa de Weverton, é vinculada à Rocha Holding Patrimonial, que recebeu repasses expressivos e participou de tratativas sobre imóveis e despesas familiares. Anna Catarina Viana Rocha, filha de Weverton, é gestora operacional dos postos de gasolina Petro São Francisco e Petro São José, organizava listas de pagamentos, transferências e depósitos. Geyse Rocha Linhares, irmã do senador, é administradora de propriedades rurais e empresas de radiodifusão e cuidava de documentos do grupo. Shainess Kellmassen Rocha Marques de Sousa, irmã do senador, seria o canal bancário de passagem para recebimento, depósitos de valores em espécie e redistribuição de recursos.

Esquema de descontos irregulares do INSS

Em abril de 2025, investigações da PF revelaram um esquema criminoso para realizar descontos irregulares de valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, ocorridos no período de 2019 a 2024. Os desvios, conforme as investigações, podem chegar a R$ 6,3 bilhões. As apurações da fase deflagrada nesta terça (4) tiveram início após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido realizadas por meio da utilização de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos. Segundo a PF, o objetivo é dar continuidade às investigações para esclarecer a origem e a destinação do dinheiro, o propósito dos repasses e a individualização das condutas dos investigados.

O que dizem as defesas

O advogado Willer Tomaz, em nota, esclareceu que a diligência de busca e apreensão a que foi submetido decorre exclusivamente do fato de ser proprietário da aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador Weverton Rocha em viagem já de conhecimento público. Ele afirmou que não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários. Sobre os repasses à esposa do senador, Willer Tomaz disse que Samya Lorene é advogada associada ao escritório, onde exerce atividade profissional regular há anos, e que os valores recebidos correspondem a honorários advocatícios de origem lícita.

O senador Weverton Rocha, por sua vez, declarou: "Apesar de não ter sido diretamente o alvo da operação de hoje, eu sabia que, com a minha candidatura ao Senado e as minhas posições políticas, sofreria ataques. Por isso, não fiquei surpreso com essa nova operação da Polícia Federal. Eu só não esperava que eles fossem tão longe, ao envolver a minha família, e até apoiadores políticos. Apesar da minha indignação, recebi essa operação com a tranquilidade que me foi possível, pois nada tenho a esconder. Todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais. E foram devidamente declaradas à Receita Federal. Quero ressaltar que o Ministério Público Federal foi novamente contra a busca e apreensão contra meus familiares e apoiadores. Apesar da dureza do jogo político, reafirmo que não me renderei. Me manterei firme no propósito de lutar pelo Maranhão, ao lado de todos que mais precisam."