O retorno das torcidas organizadas aos estádios de futebol em Sergipe está cada vez mais próximo. Em reunião realizada na última segunda-feira no Ministério Público de Sergipe (MPSE), foram definidos novos protocolos para a retomada das organizadas às praças esportivas. Desde março de 2024, elas estão proibidas de entrar nos estádios sergipanos após a morte de um torcedor antes de um Clássico Maior entre Sergipe e Confiança. Agora, em parceria entre a Polícia Militar de Sergipe (PMSE), a Federação Sergipana de Futebol (FSF) e as próprias organizadas, a volta está sendo traçada.
Participação e cadastro
A reunião contou com a presença do Procurador de Justiça, Deijaniro Jonas Filho; do presidente da FSF, Milton Dantas; de representantes da PMSE e das Torcidas Organizadas Esquadrão Colorado (Sergipe), Jovem e Trovão Azul (ambas do Confiança). Um cadastro será realizado pela PMSE para identificar todos os componentes das organizadas. Ele será feito através de um sistema desenvolvido entre PMSE e FSF, e terá início na próxima segunda-feira, 10 de agosto. A partir disso, começará a ser liberada a entrada de torcedores organizados oficialmente nos estádios. A ideia é, a partir do cadastramento, identificar rapidamente membros que causem eventuais problemas.
Ao 'Bom Dia Sergipe' desta terça-feira, o presidente da FSF, Milton Dantas, falou sobre o atual momento dos torcedores organizados no estado. - Houve um avanço significativo na metodologia do que é a torcida organizada por parte dos seus dirigentes, que têm colaborado. Em outras épocas, esses representantes nem iam às reuniões. Hoje eles são pessoas responsáveis, trabalhadores do dia a dia, e que têm o entendimento do papel do torcedor nos estádios de futebol - disse o dirigente.
Importância do cadastramento
Já Deijaniro Jonas Filho, Procurador de Justiça, dividiu em três frentes a importância do cadastramento destes torcedores. - No âmbito das torcidas, os próprios dirigentes e agremiações identificarem quem são seus componentes. A segurança pública poderá identificar eventuais fatos cometidos por integrantes de organizadas e identificar seus autores diretamente. E a sociedade estará mais tranquila e segura sabendo que qualquer pessoa que venha a descumprir a lei poderá ser mais facilmente identificada - ressaltou.
Cadastramento geral
A ideia é que isso não fique apenas nos organizados. Segundo Milton Dantas, a meta da Federação é que, a partir de 2027, o cadastramento facial de todos os torcedores presentes em estádios específicos sergipanos comece a ser realizado. A iniciativa seria feita em parceria com as Secretarias de Estado da Segurança Pública (SSP) e do Esporte e Lazer (Seel), além do próprio MPSE. - A meta é ter reconhecimento facial não apenas para os torcedores de organizadas. Pretendemos já no próximo ano, que pelo menos na Arena Batistão e no Mendonção, todos já ingressem as praças esportivas através do reconhecimento facial - disse.
Relembre a proibição
Em 4 de fevereiro de 2024, horas antes da vitória do Sergipe sobre o Confiança no Clássico Maior válido pela quinta rodada do Campeonato Sergipano, torcedores organizados dos dois rivais entraram em confronto na Grande Aracaju. Na ocasião, pelo menos seis torcedores ficaram feridos após serem espancados e esfaqueados. Um deles, de 24 anos, foi espancado no Terminal do Distrito Industrial de Aracaju (DIA), e veio a falecer quatro dias depois. Como medida reativa, desde março de 2024, as torcidas organizadas estão proibidas de entrar nos estádios durante jogos. Seus integrantes podem adentrar nas praças esportivas de forma individual, mas sem utilizar faixas, bonés, calças, agasalhos, bandeiras e quaisquer indumentárias similares que identifiquem tais grupos.



