Monitoramento de tubarões com microchips é retomado em PE após 11 anos
Monitoramento de tubarões com microchips retomado em PE

Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) retomaram, após 11 anos, o monitoramento de tubarões com microchips no litoral pernambucano. O projeto, que estava paralisado desde 2013, foi retomado após dois ataques registrados em menos de 48 horas no Grande Recife, que deixaram uma criança de 11 anos e uma jovem de 19 feridas.

Investimento e metas

O contrato, no valor de R$ 1,052 milhão, foi assinado na segunda-feira (1º) e prevê dois anos de pesquisa. Serão rastreados 60 tubarões por meio de microchips implantados nos animais. O valor é inferior ao investido na década passada, quando o projeto consumia cerca de R$ 1 milhão por ano.

Segundo o coordenador do projeto Ecotuba, Paulo Oliveira, o objetivo é acompanhar a rota dos tubarões e entender seu comportamento para embasar políticas públicas de prevenção de ataques. "Temos mais de dez anos sem esse trabalho de monitoramento e educação ambiental. Hoje não sabemos como os animais habitam a região, como se deslocam. Só o monitoramento poderá responder a perguntas como: o tubarão-cabeça-chata se aproxima mais da costa no inverno? Os tubarões-tigre estão passando mais tempo na nossa região?", afirmou.

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Equipamentos e áreas monitoradas

Serão instalados 15 receptores que captarão os sinais dos transmissores implantados nos tubarões. Os equipamentos ficarão em áreas com maior incidência de ataques, como as praias de Boa Viagem, no Recife, e Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. "Todo o trabalho de educação ambiental é feito com base nos dados obtidos. Se detectarmos, por exemplo, que o tubarão-cabeça-chata está mais presente no litoral, levaremos essa informação para que a população use a praia com mais segurança", explicou Oliveira.

Procedimento nos tubarões

Além dos microchips, menores que um batom, os tubarões receberão uma marca plástica em forma de antena para facilitar a localização e identificação. A bióloga Maria Cecília Porto será responsável pela "cirurgia" nos animais. "O procedimento leva cerca de cinco minutos, desde o embarque do animal até a liberação. É rápido e menos invasivo possível. Toda vez que liberamos, ele sai nadando normalmente", detalhou.

O monitoramento fornecerá informações sobre hábitos, deslocamentos, horários de atividade, influência da maré e da temperatura. "Verificamos como o animal se desloca, quanto tempo fica em cada área, quais horários prefere, se de manhã ou no final da tarde", acrescentou a pesquisadora.

Previsão de início

As expedições de monitoramento devem começar em julho. O projeto é conduzido pelo Departamento de Pesca da UFRPE e conta com apoio da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe).

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