Médicos do Amazonas cobram R$ 43,8 milhões em pagamentos atrasados
Médicos do AM cobram R$ 43,8 milhões em atrasos

O Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) e o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) definiram, em reunião na quarta-feira (29), um plano de ação para cobrar do Governo do Amazonas o pagamento de R$ 43,8 milhões em atrasos a profissionais da rede pública de saúde. Os valores são devidos a cooperativas médicas que prestam serviços ao estado desde 2024.

Valores devidos a cooperativas

De acordo com as entidades, a Cooperativa Pediátrica de Assistência Neonatal do Amazonas (Coopaneo) e a Sociedade dos Pediatras do Estado do Amazonas (Cooped) acumulam dívidas significativas. A Coopaneo informou que, somente em novembro e dezembro de 2024, o governo deixou de pagar integralmente R$ 7,3 milhões. Além disso, a cooperativa tem a receber R$ 3,5 milhões por serviços prestados em 2025 e R$ 6,8 milhões referentes a 2026. Há ainda R$ 4,6 milhões devidos por atendimentos realizados por meio da Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (Agir Saúde), que administra unidades estaduais.

Já a Cooped, que reúne pediatras que atuam em Manaus, afirma ter R$ 21,6 milhões a receber por serviços prestados entre 2024 e 2026. Desse total, R$ 3,9 milhões são de 2024, R$ 8,9 milhões de 2025 (em Centros de Atenção Integral à Criança – CAICs) e R$ 8,7 milhões de atendimentos realizados entre abril e junho deste ano.

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Medidas e ausência de greve

Apesar dos atrasos, Simeam e CRM-AM descartam paralisação dos atendimentos. A prioridade é evitar prejuízos à população e impedir o agravamento da crise na saúde pública. As entidades elaborarão uma nota técnica conjunta para cobrar providências, e pretendem realizar reuniões com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), o Ministério Público do Amazonas (MPAM) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM). Também estudam medidas judiciais para garantir o pagamento.

Impacto nas escalas e assistência

Em nota conjunta, CRM-AM e Simeam afirmam que os atrasos afetam não só o financeiro, mas também a organização das escalas médicas. “Os médicos têm mantido seu compromisso com os pacientes e com o funcionamento dos serviços, mesmo diante de dificuldades pessoais e profissionais. Entretanto, a prestação regular e segura da assistência depende também de condições adequadas de trabalho, disponibilidade de insumos, tecnologia, estrutura e remuneração tempestiva”, diz trecho da nota. As entidades defendem que a regularização dos pagamentos é necessária para manter as equipes e garantir atendimento adequado.

O g1 procurou o Governo do Amazonas e a SES-AM, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

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