Aos 79 anos, Firmino Ferreira Filho está prestes a concluir a graduação em Direito em Presidente Prudente (SP), após 63 anos de experiência como maestro de música. A defesa do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) está prevista para esta quarta-feira (24). Ele decidiu iniciar uma nova carreira há cinco anos, como forma de se reinventar.
Uma vida dedicada à música e ao Direito
Firmino começou na música aos quatro anos, incentivado pelos pais, que cantavam e tocavam viola. Ao longo de mais de seis décadas, acumulou experiências como técnico jurídico, repórter em empresas de comunicação, cantor gospel, declamador literário e escritor. Agora, ele vê semelhanças entre as duas áreas: "A música e o direito se interligam na sua estrutura: a música pela ordem simultânea das notas que se harmonizam, o direito se harmoniza pelos princípios, doutrina, toda eficiência na interpretação."
Motivação e planos futuros
"Sempre amei o Direito, sua redação exclusiva e seu vocabulário próprio. Me via estudando, até materializar a fé. Quero advogar e dar aula em instituições que for convidado", afirma. Firmino pretende fazer o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e cursar pós-graduações. "Decidi, no silêncio, ser um professor de Direito e um advogado. Me sinto realizado por ser vencedor."
Combate ao etarismo com o 'ourorismo'
O TCC de Firmino aborda o tema "A falta de reconhecimento aos idosos em uma sociedade moderna de 2020 a 2025". Em sua pesquisa, ele encontrou o termo 'etarismo', que define a discriminação contra idosos. Para contrapor, criou a palavra 'ourorismo', em referência ao ouro, propondo uma nova cultura de valorização do idoso no Brasil. "Sabendo que temos que mudar nacionalmente a cultura que se refere ao tratamento da pessoa idosa no Brasil. Acreditar que, o mais breve possível, podemos alcançar o reconhecimento dos idosos, como no Japão, Canadá, Suíça, Suécia e outros países que reconhecem valores e imortalizaram os que construíram a história", explica.
Reconhecimento e gratidão
Firmino destaca que o título de bacharel não é mérito apenas seu: "A razão do meu título de bacharel em Direito não pertence só a mim; fazem parte meus filhos, colegas de classe, meus professores e amigos que nunca me deixaram sozinho." A colação de grau da turma de Direito da faculdade particular está prevista para ainda este ano.



