Doação de sangue no Amazonas: logística salva vidas
Doação de sangue no AM: logística salva vidas

Doação de sangue no Amazonas: logística que salva vidas

O sangue doado por voluntários no Amazonas passa por um processo de fracionamento, transformando-se em bolsas de hemácias, plaquetas e plasma. Esse material percorre uma complexa logística de transporte até chegar a quem precisa, seja em Manaus ou em outras regiões do estado. A segunda reportagem do Jornal do Amazonas 1ª edição explica como o estoque precisa ser constantemente renovado, tanto pela demanda de urgências, emergências, cirurgias eletivas e tratamentos de pacientes com doenças sanguíneas, quanto pelo prazo de validade de cada componente.

O sangue é um tecido líquido precioso, um recurso terapêutico que salva vidas em qualquer fase. Melissa, uma criança de pouco mais de dois anos, é um exemplo. Diagnosticada com leucemia linfoide aguda tipo B há oito meses, ela já passou por diversas transfusões. Sua mãe, Anderleia Oliveira da Silva, relata: "Quando a gente descobriu que ela tava doente, veio várias transfusões de sangue. Muitas transfusões. Praticamente todo santo dia ela fazia. Plaquetas, hemácias". A família, originalmente de Barcelos, mudou-se para Manaus para o tratamento prolongado.

"É uma doença que a gente sempre ouvi falar, mas sempre com outras pessoas. A gente nunca imagina que vai acontecer com a gente. É uma doença bastante agressiva, foi um baque pra gente. A gente esperava tudo, menos isso", desabafou a mãe. Para ela, a doação de sangue é "um ato de amor muito lindo. Porque você salvar uma pessoa sem você conhecer, sem ter o vínculo é humanidade mesmo. Ser humano com outro que você não conhece".

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Os componentes do sangue e seus prazos

As plaquetas, essenciais para a coagulação e interrupção de sangramentos, duram apenas cinco dias. Já as hemácias, responsáveis pelo transporte de oxigênio e gás carbônico, podem ser armazenadas por até 42 dias em refrigeração. O plasma, por sua vez, é a parte líquida que carrega as células e contém anticorpos e fatores de coagulação. Quando congelado adequadamente, pode durar até dois anos.

O caminho do plasma até se tornar medicamento

Caminhões frigoríficos percorrem o Brasil coletando o plasma excedente e levando-o até a fábrica da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), localizada no interior de Pernambuco. Lá, o plasma é fracionado para produzir medicamentos. A presidente da Hemobrás, Ana Paula Rego Menezes, explica: "A população doa o sangue. Do sangue temos o plasma, esse plasma coletado pela Hemobrás fracionado, e a partir desse fracionamento volta para a população como medicamentos. A matéria mais importante que tem no sangue são proteínas. E esse plasma brasileiro ele vem carregado dos anticorpos, oriundos do processo de vacinação da população brasileira. Então, é um plasma muito rico e muito adequado a voltar como medicamento para essa população porque tem essa similaridade. É uma vida complexa e longa, mas que não começa se não tiver o doador".

Os medicamentos retornam aos estados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), beneficiando pacientes como André Ricardo Souza da Silva, universitário hemofílico. Três vezes por semana, ele precisa de um hemoderivado derivado do plasma para suprir a deficiência de coagulação. "O sangue não é só para aquela pessoa que está precisando naquele momento, para alguém que está precisando de cirurgia e abastece muitas pessoas que sofrem com algum tipo de doença no sangue. No caso, o meu remédio que eu tomo, ele é um fator oito plasmático, então ele é derivado do plasma do sangue. Então eu também dependo da doação. É um remédio que até então eu tenho que tomar pro resto da minha vida", afirma.

André descobriu a hemofilia na infância e, embora não haja cura, o tratamento proporciona qualidade de vida. Ele planeja se formar em fisioterapia para ajudar outros hemofílicos: "Tenho grandes projetos de fisioterapia dentro da hemofilia. Também está envolvido no meu futuro. Vou ajudar outros hemofílicos. Mesmo com um atendimento de qualidade, a gente sabe que só aquele paciente sabe o que é sentir na pele a dor, o sofrimento de uma lesão, o quanto dói é chegar lá sendo um hemofílico como fisioterapeuta, poder entender mais um pouco do paciente, tendo a doença. Acho que é algo que se acontecer, vou ficar muito feliz".

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar