O presidente da TIM Brasil (TIMS3), Alberto Griselli, afirmou que a operação brasileira não está à venda e que a empresa sairá mais forte após a mudança de controle no grupo italiano. Em entrevista exclusiva ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, ele disse que a nova configuração societária, que terá como controlador indireto o governo da Itália, dará mais liberdade para a alocação de capital da companhia no país.
A declaração ocorre depois que o Gruppo TIM, antiga Telecom Italia e controladora da TIM Brasil, aprovou neste mês a oferta pública de aquisição (OPA) feita pela Poste Italiane, empresa de capital misto que tem o Estado italiano como maior acionista, com 64% das ações. Com a conclusão da transação, o Gruppo TIM deixará de ter capital aberto.
A movimentação despertou sondagens de investidores sobre o futuro da TIM Brasil, conforme apurou o Broadcast. Griselli descartou a possibilidade de venda da operação local. “Não está”, respondeu. Ele ressaltou que o negócio continuará tendo papel relevante para o fluxo de caixa do grupo. “O novo potencial acionista já definiu o Brasil como uma joia”, completou.
Pilar estratégico para o novo controlador
Em 2025, a TIM Brasil foi responsável por 46,8% do lucro operacional (Ebitda) consolidado do Gruppo TIM. Na oferta de aquisição, a Poste Italiane classificou o mercado brasileiro como um “pilar estratégico de importância primordial” para o grupo, destacando a “posição competitiva, sólida e sustentável” da TIM Brasil, com infraestrutura de qualidade e base de clientes em crescimento.
O jogo geopolítico da 'campeã nacional'
Na Itália, a negociação envolvendo o Gruppo TIM faz parte da estratégia do governo de Giorgia Meloni para criar uma “campeã nacional”: uma companhia de capital majoritariamente nacional com o objetivo de controlar ativos estratégicos. O Gruppo TIM não é apenas uma operadora de telecomunicações; é também a principal provedora de data centers e a maior provedora de serviços digitais para a administração pública italiana.
Na Europa, a preservação de dados tornou-se questão central diante da expansão das big techs, especialmente as dos Estados Unidos e da China. Para Griselli, “esse interesse nacional, com pano de fundo geopolítico, é o que justifica as conversas sobre a OPA. Geram um campeão nacional que garantirá a soberania sobre uma infraestrutura considerada importante para o país”.
O diretor regulatório e de Assuntos Institucionais da TIM Brasil, Mario Girasole, completou que a tendência é reconhecível em grande parte das administrações europeias. Ele lembrou que outras grandes operadoras, como Telefónica (Espanha), Deutsche Telekom (Alemanha) e Orange (França), também têm os respectivos governos nacionais como acionistas relevantes.
Poste Italiane: dos correios ao controle de ativos estratégicos
Escolhida para absorver o Gruppo TIM, a Poste Italiane tem origem nos serviços postais, mas esse segmento hoje representa apenas 30% da receita total de 13 bilhões de euros (cerca de R$ 75 bilhões). O grosso do faturamento vem dos serviços de finanças, seguros, fibra ótica, fornecimento de eletricidade e gás. Com a compra do Gruppo TIM, a ideia é defender os ativos estratégicos, explorar sinergias e aumentar a capilaridade das suas atividades.
Termos da oferta e aprovação do conselho
A oferta pelo Gruppo TIM prevê pagamento em dinheiro e entrega de ações pela Poste Italiane. Para cada ação do Gruppo TIM, a Poste Italiane pagará 1,67 euro mais 0,218 ação ordinária a ser emitida na Euronext Milan, principal bolsa do país, anteriormente denominada Borsa Italiana.
A proposta estava inicialmente avaliada em 10,8 bilhões de euros (cerca de R$ 63 bilhões), correspondendo a um prêmio de 9% sobre as ações do Gruppo TIM na data da oferta. Considerando a valorização dos papéis da estatal desde então, o montante pode chegar a 13 bilhões de euros (cerca de R$ 75 bilhões).
O conselho do Gruppo TIM já aprovou a proposta. Em comunicado, o grupo afirmou que o colegiado “aprovou por unanimidade que a proposta oferecida é justa do ponto de vista financeiro e avaliou positivamente a lógica e as perspectivas do negócio para a operação, bem como a sua coerência com o percurso da TIM”. O conselho informou ainda que o plano de negócios não será atualizado enquanto a oferta não for concluída, assim como os cenários que venham a emergir após o seu desfecho.



