IA entre fascínio e susto: riscos e promessas da inteligência artificial
IA entre fascínio e susto: riscos e promessas

A inteligência artificial (IA) divide opiniões entre o fascínio por suas capacidades e o susto diante de seus potenciais riscos. Em artigo na coluna Opinião do Valor Econômico, o professor da USP e pesquisador do Núcleo de Estudos do Futuro, Carlos Eduardo de Andrade, analisa os dois lados da moeda.

O fascínio da IA

Andrade destaca que a IA já supera humanos em tarefas como processamento de linguagem, diagnóstico por imagem e logística. “A capacidade de aprender com grandes volumes de dados permite criar soluções para problemas complexos, como prever doenças e otimizar cadeias de suprimentos”, afirma. A promessa de aumento da produtividade e inovação em áreas como saúde e educação justifica o entusiasmo.

Segundo dados do Fórum Econômico Mundial, a IA pode adicionar US$ 15,7 trilhões à economia global até 2030. No Brasil, startups de IA captaram R$ 1,2 bilhão em 2023, segundo a Distrito. Esse boom atrai investimentos e talentos.

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O susto: riscos reais

Porém, o mesmo artigo alerta para perigos concretos. “Há riscos de viés algorítmico, que pode perpetuar desigualdades, e de concentração de poder em poucas empresas de tecnologia”, escreve Andrade. Ele cita o caso de sistemas de recrutamento que discriminaram mulheres, reproduzindo preconceitos históricos.

Outro ponto é o impacto no mercado de trabalho. Estudo do McKinsey Global Institute estima que até 800 milhões de empregos podem ser automatizados até 2030. Andrade ressalta a necessidade de políticas públicas para requalificação profissional. “Sem isso, corremos o risco de uma crise social”, diz.

Regulamentação em debate

O artigo defende uma regulação equilibrada. A União Europeia já aprovou o AI Act, que classifica riscos e exige transparência. No Brasil, tramita o PL 2338/2023, que cria um marco legal para IA. “Precisamos de leis que inibam abusos sem sufocar a inovação”, conclui Andrade.

O papel da sociedade

A saída, segundo o texto, é o debate democrático. “A IA não é boa nem má por si só; depende de como a usamos. A sociedade civil, cientistas e governos devem definir limites éticos”, afirma. Fóruns como o Conselho de IA da ONU e iniciativas de IA responsável no Brasil mostram caminhos possíveis.

Para Andrade, o equilíbrio entre fascínio e susto exige ação coletiva. “Não podemos ignorar os riscos, mas também não devemos abrir mão dos benefícios. O segredo está na governança participativa.”

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