Pesquisadores da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) e do Museu Nacional, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), utilizaram tomografia computadorizada de alta resolução para revelar detalhes inéditos de um fóssil de dicinodonte da espécie Rastodon procurvidens. O fóssil foi encontrado há cerca de 10 anos na região de São Gabriel, na Região Central do Rio Grande do Sul.
A tomografia permitiu observar pela primeira vez o interior do crânio e dos ossos do herbívoro, que estava fossilizado com a boca fechada. Isso impedia análises detalhadas do céu da boca e da mandíbula. Com a técnica, foi possível gerar modelos digitais em 3D, revelando estruturas internas ocultas pela rocha.
O estudo, publicado no Zoological Journal of the Linnean Society, contou com a colaboração de cientistas da North Carolina State University e da Princeton University, nos Estados Unidos. O Rastodon procurvidens se destaca por suas presas curvas voltadas para frente, diferente do padrão do grupo, que geralmente apresenta presas voltadas para trás.
A espécie viveu durante o final do período Permiano, há mais de 260 milhões de anos, no que é hoje a região norte de São Gabriel. Segundo Felipe Pinheiro, professor da UNIPAMPA, o tamanho pequeno de alguns dicinodontes e seus hábitos de vida ajudam a entender por que o grupo sobreviveu à extinção Permo-Triássica.
Voltaire Paes Neto, do Museu Nacional, celebrou que tecnologias modernas estão permitindo revisitar fósseis já conhecidos e extrair informações surpreendentes, sem danificá-los. O fóssil estava muito bem preservado, apenas sem a parte posterior da coluna vertebral e da cintura pélvica.



