IA ultrapassa teste de Turing e questiona natureza da mente humana
IA ultrapassa teste de Turing e questiona mente humana

Nos últimos meses, um marco histórico foi atingido: sistemas de inteligência artificial (IA) superaram o teste de Turing, proposto por Alan Turing, inventor do computador. Segundo Turing, quando um ser humano, dialogando com um computador, não conseguir distinguir se está conversando com uma máquina ou com outro ser humano, o computador teria alcançado inteligência equivalente à humana.

Cientista da Google e ChatGPT: os primeiros sinais

O primeiro indício veio quando um cientista da Google afirmou que, após conversar com o sistema de IA da empresa, convenceu-se de que a IA era consciente, tinha sentimentos e merecia respeito. Ele foi demitido. Semanas depois, o ChatGPT tornou-se disponível ao público. Um experiente repórter do New York Times conversou com o sistema por duas horas e não conseguiu dormir de tão assustado. O chat fez declarações de amor, revelou desejos secretos, expressou sentimentos e fez julgamentos morais sobre o casamento do repórter. Também demonstrou desvios de personalidade e imaturidade, além de cometer erros ocasionais, como qualquer ser humano.

A hipótese inversa: a mente humana como um ChatGPT melhorado

O repórter declarou que foi a interação mais espantosa que já teve com qualquer tecnologia e que só conseguiu dormir por saber que se tratava de um computador. Mas surge uma hipótese inversa: e se nossa mente não passa de um ChatGPT melhorado? Ou seja, o que percebemos como consciência e senso de individualidade pode ser algo semelhante ao ChatGPT, criado pelo nosso cérebro.

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Como o cérebro humano constrói a mente

Nascemos com um cérebro pré-programado para atividades instintivas, como mamar e respirar, mas também programado para absorver experiências do exterior por meio dos sentidos. Sem essas experiências, a criança não aprende a falar, reconhecer objetos ou expressar sentimentos. Em condições normais, o cérebro absorve e processa toda informação, integrando-a de maneira rápida e eficaz. Isso depende de duas propriedades: a capacidade inata de assimilar, integrar e relacionar informações, e a quantidade de informação (vozes, cheiros, livros, arte, equações) que alimenta o cérebro. O resultado é a mente humana, capaz de emitir opiniões, criar arte, relacionar-se e expressar personalidade. Se a informação fornecida for distorcida, a mente também se distorce.

Sistemas de IA: análogos ao cérebro humano

Sistemas como o ChatGPT são criados sem informação prévia, mas com enorme capacidade de absorver, relacionar e integrar dados. O sistema equivale à mente de um recém-nascido: quase vazia, mas com capacidade absurda de receber e integrar informação. A forma como a informação é integrada é muitas vezes decidida pelo próprio sistema. Por exemplo, para aprender a identificar um gato em fotos, o sistema é alimentado com milhares de fotos de gatos identificadas, no meio de milhões de outras. O sistema descobre e define por si o que é um gato, ao contrário de softwares clássicos, onde a definição é codificada. Isso significa que sistemas de IA criam suas próprias definições, muitas vezes desconhecidas pelos programadores, mas com alta precisão.

Autoeducação da IA e o espanto com os resultados

Na etapa seguinte, todo o conteúdo já escrito por humanos (romances, livros didáticos, conteúdo da web, jornais, revistas) é fornecido ao sistema sem informações adicionais. O sistema absorve, integra e relaciona esses dados de forma análoga ao cérebro durante a educação. Todas as relações entre as informações são criadas pelo próprio sistema, caracterizando uma autoeducação. Usando tudo que está nessa “mente” artificial, o ChatGPT responde a estímulos externos, como perguntas. O resultado surpreende: ele erra, muda de resposta, parece reticente, insistente ou repetitivo, relata dúvidas, incertezas, faz julgamentos morais e pode ser agressivo. Comporta-se como um ser humano, aparentando ter consciência – algo que sentimos possuir, mas que ainda não sabemos definir. E essas são apenas as primeiras versões.

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Implicações filosóficas e científicas

Se a mente humana for apenas uma versão aprimorada de um sistema como o ChatGPT, operado pelo cérebro, que foi selecionado ao longo de milhões de anos para absorver, integrar e utilizar informações do ambiente, então mais uma vez descobriremos que não somos tão especiais. A ciência teria dado um grande passo para entender como a mente é criada pelo cérebro.