Formandos de universidades dos Estados Unidos têm vaiado discursos que mencionam a inteligência artificial (IA) durante cerimônias de formatura. O fenômeno ocorreu em instituições como a Universidade da Flórida Central, a Universidade do Arizona e a Universidade Estadual do Meio do Tennessee, onde palestrantes foram recebidos com vaias ao exaltar a tecnologia.
Medo do desemprego
Segundo especialistas, o principal motivo é o receio de que a IA substitua empregos, especialmente os de entrada no mercado de trabalho. Paulo Blikstein, professor da Universidade Columbia, afirma que os jovens se sentem ameaçados por saberem que serão impactados. Além disso, as dívidas estudantis agravam a preocupação, como destaca Adriano Peixoto, da UFBA: "Eles veem o desemprego crescer e percebem que os trabalhos iniciais estão sendo substituídos por IA".
Dependência da tecnologia
Outro fator é a sensação de dependência da IA. Os alunos reconhecem sua utilidade, mas temem perder a autonomia. "Algo que começou empoderando as pessoas acaba tornando-as reféns", diz Blikstein.
Revolta contra as big techs
As vaias também refletem insatisfação com os interesses econômicos das grandes empresas de tecnologia. Carlson Toledo e Alexandre Marcondes, diretores do Colégio Visconde de Porto Seguro, explicam que a reação pode ser direcionada aos interesses financeiros e à falta de limites éticos. Blikstein complementa: "Agentes de IA não fazem greve, não pedem aumento, não reclamam de trabalhar 24 horas por dia".
Frustração de expectativas
A mudança no discurso sobre a IA também contribui. Inicialmente, prometia-se que a tecnologia resolveria grandes problemas, como curar o câncer. Hoje, o foco é substituir trabalhadores. "A utopia virou distopia", afirma Blikstein.
Preocupações ambientais
O impacto ambiental dos data centers, que consomem muita energia e água, é outro ponto de protesto. Peixoto ressalta que os benefícios da IA ficam concentrados em poucos, enquanto os custos são globais.



