O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, declarou que os Estados Unidos não devem impor uma proibição à inteligência artificial (IA) chinesa, em uma postura que contrasta com as crescentes tensões tecnológicas entre Washington e Pequim. Durante evento virtual na quarta-feira, o executivo defendeu que a concorrência global no setor deve ser baseada em abertura e inovação, e não em barreiras regulatórias.
Zuckerberg defende competição aberta
“Acho que tentar banir a IA chinesa seria um erro. O melhor caminho é competir com transparência e garantir que nossas soluções sejam superiores”, afirmou Zuckerberg. Segundo ele, a abordagem dos EUA deve focar em acelerar o desenvolvimento doméstico, e não em restringir o acesso a tecnologias estrangeiras.
A declaração ocorre em meio a um cenário onde empresas chinesas como Baidu, Alibaba e DeepSeek têm avançado rapidamente em modelos de linguagem e reconhecimento de imagem. Zuckerberg reconheceu que a China já é líder em algumas áreas de IA aplicada, especialmente em visão computacional e processamento de linguagem natural.
Impacto comercial e regulatório
Especialistas apontam que um possível banimento afetaria não apenas empresas chinesas, mas também companhias americanas que dependem de componentes ou colaborações com fornecedores chineses. “A cadeia de suprimentos de IA é global. Restrições podem gerar retaliações e prejudicar a inovação nos dois lados”, disse James Lee, analista do Center for Strategic and International Studies, em nota.
Segundo o Stanford AI Index 2025, a China responde por mais de 40% dos pedidos de patentes relacionados à IA em todo o mundo, evidenciando sua relevância no setor. Zuckerberg citou esse dado para reforçar que “isolar a China não é realista e pode atrasar o progresso científico global”.
Posição da Meta e futuro da IA
A Meta, que investe pesadamente em IA com modelos como LLaMA, defende a abordagem de código aberto como forma de democratizar a tecnologia. Zuckerberg destacou que a empresa continuará colaborando com instituições internacionais, incluindo as chinesas, em pesquisas básicas.
“Queremos que a IA beneficie a humanidade como um todo. Isso exige cooperação, mesmo com competidores”, afirmou. A declaração de Zuckerberg pode influenciar o debate em Washington, onde parlamentares discutem projetos de lei para restringir a importação de tecnologia de IA da China.
Embora a administração Biden tenha imposto sanções a empresas chinesas de semicondutores, a posição de Zuckerberg sugere que líderes do setor privado preferem uma abordagem mais conciliatória. Analistas veem a fala como um movimento estratégico para proteger os interesses comerciais da Meta no mercado asiático.



