Empresa afirma ter copiado cérebro de mosca; especialistas contestam
Empresa afirma ter copiado cérebro de mosca; especialistas contestam

Uma empresa americana, a Eon Systems, divulgou um vídeo nas redes sociais mostrando uma mosca digital que anda, se alimenta e se limpa. A companhia afirma ter 'carregado' um cérebro biológico em um computador e o colocado para funcionar. Especialistas ouvidos pelo g1, no entanto, contestam essa interpretação.

O que a Eon Systems fez, na verdade, foi mapear as conexões entre neurônios do cérebro da mosca-das-frutas (Drosophila melanogaster) e usar esse mapa para controlar um corpo virtual em simulação. Esse mapeamento, chamado conectoma, foi publicado em outubro de 2024 na revista Nature por Philip Shiu, cientista sênior da empresa, e colaboradores de várias universidades. O conectoma registrou mais de 125 mil neurônios e 50 milhões de conexões.

Com base nessa estrutura, os pesquisadores criaram um modelo matemático que simula a propagação de sinais elétricos entre neurônios. O modelo previu com mais de 90% de acerto quais células nervosas disparam em situações como detecção de açúcar ou limpeza de antena. A Eon Systems integrou esse modelo a um corpo virtual de mosca e a uma plataforma de física computacional chamada MuJoCo, gerando os comportamentos exibidos no vídeo.

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No entanto, essa integração não foi publicada em artigo científico nem passou por revisão independente. Especialistas como Alexander Bates, pesquisador em neurobiologia da Harvard Medical School, criticam a forma como a empresa apresenta o avanço. 'Minha preocupação é com a forma como a Eon Systems tem apresentado esses avanços, especialmente ao falar em “animais realmente carregados”. O que eles fizeram é limitado', afirma Bates.

Para os cientistas, o modelo deixa de fora elementos essenciais do funcionamento cerebral, como a identidade de cada neurônio, os sinais químicos trocados, a capacidade de reorganização e a influência do ambiente. O sistema reproduz comportamentos básicos seguindo o mapa de conexões, mas não incorpora a complexidade biológica real, limitando o alcance da simulação.

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