Papa Leão XIV publica encíclica sobre IA e tecnologia
Papa Leão XIV lança encíclica sobre IA e tecnologia

Como era esperado, a primeira encíclica do papa Leão XIV tratou da nova revolução tecnológica da informática e da inteligência artificial (IA). Era uma preocupação manifestada por ele já no seu primeiro discurso aos cardeais, logo após a sua eleição no conclave de maio de 2025, quando justificou a escolha de seu nome pontifício. Leão XIII, autor da encíclica social Rerum novarum (1891), foi uma inspiração para ele. O Leão do final do século 19 expôs a posição da Igreja Católica diante das importantes questões sociais e humanas suscitadas pela Revolução Industrial, que mecanizou o trabalho e criou enormes desequilíbrios entre capital e trabalho.

O Leão do século 21 e a tecnologia

O Leão do início do século 21 expôs o pensamento da Igreja diante das delicadas questões suscitadas pelo emprego das novas tecnologias da informática e da IA. E o fez com a encíclica Magnifica humanitas (Magnífica humanidade), um documento de doutrina social da Igreja com sólida base antropológica. Um mês após a sua publicação, ela recebeu numerosos comentários e análises nos mais diversos âmbitos sociais e culturais.

Foco na pessoa humana

Embora Leão XIV se refira às novas tecnologias, o foco principal da encíclica é o cuidado da pessoa humana nesse novo contexto tecnológico. Não se trata de exorcizar essas inovações tecnológicas, que são criações maravilhosas da inteligência humana. Mas também não é o caso de ficar embevecido, de maneira acrítica, diante do potencial imenso dessas tecnologias, que precisam ser governadas e usadas com sabedoria e prudência.

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Questões levantadas pela encíclica

Algumas questões apontadas pela encíclica mereceram especial atenção nos comentários divulgados nos diversos ambientes e meios de reflexão e comunicação. Inegavelmente, estamos diante de uma revolução tecnológica importante, com efeitos significativos para a economia, as relações de trabalho, as finanças, a educação e a cultura. Também as relações humanas e sociais são afetadas e o potencial da IA para a pesquisa e a ciência é impressionante. Mas a sua aplicação para fins militares e de controle social levanta preocupações não indiferentes; mais ainda, quando se pensa no seu uso por organizações criminosas e por forças desagregadoras das instituições e da sociedade. Preocupa também a enorme concentração de poder e de controle sobre essas novas tecnologias em pouquíssimas mãos. Além disso, convém pensar logo como resolver o problema das multidões de desempregados, substituídos no seu trabalho pelas novas máquinas inteligentes.

A dignidade humana como centro

Diante do entusiasmo suscitado pelas novas tecnologias, e, ao mesmo tempo, das preocupações levantadas, a encíclica aponta para a questão fundamental: o homem e sua dignidade devem estar no centro das criações e dos processos suscitados por elas. As maravilhosas tecnologias da IA não deveriam substituir a pessoa humana, mas ser úteis para ela. Para todos, e não apenas para alguns poucos privilegiados. Não deveriam tirar oportunidades, mas proporcionar chances de vida melhor para todos. As novidades tecnológicas aplicadas ao mundo do trabalho requererão, em breve, ajustes também na legislação que regula as relações entre capital e trabalho em nível local e global.

Questões antropológicas e éticas

Não são pequenas as questões antropológicas e éticas levantadas em relação à IA. A progressiva automação das decisões pode levar a despersonalizar os atos humanos. Serão, talvez, os algoritmos que determinarão os valores humanos e ético-morais da humanidade? Até que ponto um mecanismo de IA pode se tornar um conselheiro confiável para quem busca orientações para questões de cunho pessoal e existencial? O modelo tecnocrático e friamente calculista terá, como consequência, a progressiva desumanização das relações humanas e sociais. E isso exigirá uma nova reflexão sobre o sentido da própria existência humana. Na era digital, faz-se necessário um novo humanismo.

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Governabilidade da IA

Não poucos destacam a questão da governabilidade do emprego das novas tecnologias. Será preciso discutir mecanismos de garantia e de vigilância sobre a aplicação da IA, para que ela não seja descontrolada e amoral, com consequências funestas para a comunidade humana. Quem decidir sobre a IA, acabará tendo poder e influência sobre todo o mundo. As novas conquistas da ciência e da técnica deveriam tornar-se um bem comum, a serviço de toda a humanidade. Mas quem vai decidir sobre um quadro regulador, a ser assumido por todos os atores dessa revolução tecnológica?

O ser humano no comando

A máquina pode ganhar poderes tão grandes, a ponto de se tornar incontrolável? Há preocupações fundadas sobre isso. O certo é que não se deverá nunca inverter a ordem das coisas, mantendo o ser humano sempre no centro e no comando. A tecnologia será um auxílio, mas jamais um substitutivo para o homem. Quem vai governar a tecnologia será, finalmente, a inteligência humana, limitada, é certo, mas dotada de senso ético e responsabilidade social, capaz de pensar em termos de justiça, solidariedade e compaixão.