Pesquisadores brasileiros alcançaram um marco histórico ao desenvolver um novo painel solar com eficiência de conversão de 26%, superando o recorde anterior de 24% estabelecido por laboratórios internacionais. O feito, anunciado pelo Instituto Nacional de Energia Limpa (INEL) em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), representa um avanço significativo para a matriz energética do país.
Detalhes da inovação
O novo painel utiliza uma tecnologia de células solares de perovskita em tandem com silício cristalino, combinando materiais para maximizar a absorção de luz. Segundo o Dr. Carlos Mendes, coordenador da pesquisa, "a combinação desses materiais permite capturar mais espectros da luz solar, resultando em maior eficiência sem aumentar significativamente os custos de produção". O projeto contou com financiamento da Finep e da Petrobras, totalizando R$ 50 milhões em investimentos.
Impacto na indústria e economia
A produção em escala comercial deve começar em 2027, com capacidade inicial de 500 MW por ano. A expectativa é que o custo da energia solar fotovoltaica no Brasil caia até 15%, tornando-a ainda mais competitiva frente às fontes fósseis. O ministro de Minas e Energia, Paulo Silveira, afirmou que "essa inovação coloca o Brasil na vanguarda da transição energética global, reduzindo nossa dependência de hidrelétricas em períodos de seca".
Reconhecimento internacional
O resultado foi certificado pelo National Renewable Energy Laboratory (NREL) dos EUA, que confirmou a eficiência recorde. A tecnologia já despertou interesse de empresas alemãs e chinesas, que buscam parcerias para licenciamento. O Brasil, atualmente o sétimo maior produtor de energia solar do mundo, pode saltar para o terceiro lugar até 2030, segundo projeções da Associação Brasileira de Energia Solar (ABSOLAR).
Desafios e próximos passos
Apesar do avanço, a produção em larga escala enfrenta desafios, como a disponibilidade de matéria-prima e a necessidade de linhas de montagem especializadas. O INEL planeja abrir uma fábrica-piloto em Campinas (SP) ainda este ano, gerando 200 empregos diretos. "Estamos otimistas, mas precisamos de apoio contínuo para escalar a produção", destacou o Dr. Mendes.



