Sétimo continente cresce e chega ao sangue humano
Sétimo continente: plástico no sangue humano

O sétimo continente está crescendo e já atinge o sangue humano

Uma nova pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa do Plástico no Oceano (IPPO) revela que o chamado sétimo continente — a gigantesca massa de resíduos plásticos que flutua no Oceano Pacífico — continua a se expandir em ritmo acelerado. O estudo, publicado na revista científica Marine Pollution Bulletin, estima que a área ocupada por esses detritos já ultrapassa 1,6 milhão de quilômetros quadrados, o equivalente a três vezes o tamanho da França. Mas o dado mais alarmante é a confirmação de que microplásticos provenientes dessa ilha de lixo estão agora circulando no sangue humano.

O crescimento do sétimo continente

De acordo com o IPPO, a massa de plástico no Pacífico Norte cresceu 15% nos últimos dois anos, impulsionada pelo aumento da produção global de plástico e pela gestão inadequada de resíduos em países costeiros. “Estamos vendo uma aceleração na acumulação de plástico, com fragmentos cada vez menores, o que facilita sua dispersão pelos oceanos e entrada na cadeia alimentar”, afirma a coordenadora do estudo, Dra. Mariana Costa. A pesquisa utilizou imagens de satélite e amostras coletadas por navios para mapear a extensão do continente de lixo.

Plástico no sangue humano

Em um estudo paralelo, cientistas da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) analisaram amostras de sangue de 200 voluntários e encontraram partículas de polietileno e polipropileno em 80% deles. Esses materiais são os mesmos encontrados no sétimo continente. “É a primeira vez que detectamos microplásticos no sangue humano em escala populacional”, diz o Dr. Carlos Mendes, líder da pesquisa. As partículas, com menos de 5 micrômetros, podem atravessar barreiras biológicas e se acumular em órgãos, com potenciais riscos inflamatórios e hormonais.

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Impactos na saúde e no meio ambiente

A presença de microplásticos no sangue humano levanta preocupações sobre efeitos de longo prazo, como danos ao sistema imunológico e interferência endócrina. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já classificou a poluição por plásticos como uma emergência de saúde pública. Enquanto isso, o sétimo continente continua a ameaçar a vida marinha: tartarugas, aves e peixes ingerem os detritos, confundindo-os com alimento, o que leva à morte de milhares de animais por ano.

Medidas urgentes necessárias

Especialistas pedem ações imediatas, como a redução da produção de plásticos descartáveis, o aumento da reciclagem e a implementação de tratados internacionais para limpeza dos oceanos. “Se não agirmos agora, em 2050 haverá mais plástico do que peixes nos oceanos”, alerta a Dra. Costa. O Brasil, um dos maiores produtores de lixo plástico do mundo, precisa adotar políticas mais rígidas, segundo os pesquisadores.

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