Uma nova arma natural do corpo humano contra o vírus da gripe aviária tipo A foi descoberta por cientistas. Trata-se da proteína BTN3A3, que existe em todos os primatas, mas não em outros mamíferos como vacas, porcos, cavalos e ratos. Essa proteína é produzida quando células humanas são estimuladas por interferon e atua bloqueando a replicação do vírus.
Como funciona a proteína BTN3A3
A proteína BTN3A3 se liga à nucleoproteína do vírus da gripe aviária assim que ele entra no núcleo das células humanas, impedindo a replicação do material genético viral. Para demonstrar seu poder, os pesquisadores inseriram o gene da BTN3A3 em camundongos, tornando-os resistentes ao vírus aviário tipo A nos pulmões.
Essa descoberta explica por que animais como porcos e aves são facilmente infectados, enquanto humanos raramente contraem a gripe aviária. Há alguns anos, o espalhamento de um vírus de gripe aviária em porcos na China obrigou o governo a sacrificar a maior parte do rebanho, mas pouquíssimas pessoas foram infectadas.
Mutações que quebram a defesa
Apesar dessa proteção, ao longo da história surgiram mutantes do vírus da gripe aviária que conseguiram infectar humanos e causar pandemias, como a gripe espanhola (1918), os surtos de 1957, 1968 e a pandemia de H1N1 em 2009. Os cientistas sequenciaram a nucleoproteína dos vírus que escaparam da BTN3A3 e descobriram que, em todos os casos, havia mutações específicas nas posições 52 ou 313.
Segundo o estudo publicado na revista Nature, "BTN3A3 evasion promotes the zoonotic potential of influenza A viruses". A pesquisa mostra que, para escapar das defesas humanas, o vírus aviário precisa ter mutações nessas duas posições da nucleoproteína.
Importância para vigilância sanitária
Essa descoberta permite que, toda vez que um novo vírus aviário se espalhe em algum lugar do mundo — como nos porcos chineses ou em aves selvagens na costa do Brasil —, seja possível monitorar não apenas a disseminação da doença, mas também o surgimento dessas mutações. Caso elas apareçam na população infectada, é sinal de que o vírus pode burlar as defesas humanas e causar uma pandemia.
"É mais uma arma para ser usada pelos centros de vigilância sanitária e epidemiologistas para tentar conter ou reduzir uma nova pandemia entre seres humanos", destacam os pesquisadores. A descoberta da BTN3A3 e das mutações que a neutralizam oferece uma ferramenta crucial para a prevenção de futuras pandemias de gripe aviária.



