O Perccottus glenii, conhecido como Amur sleeper, é o único peixe que sobrevive ao congelamento total. Durante o inverno, ele se deixa congelar em águas rasas, sem respirar ou ter batimentos cardíacos, e volta à vida quando o gelo derrete. Agora, cientistas sequenciaram seu genoma e de um parente próximo que não resiste ao gelo, identificando cerca de 380 genes que alteram sua atividade durante o processo.
Como o peixe sobrevive ao congelamento?
Quando a temperatura cai, o Amur sleeper produz substâncias anticongelantes que retardam a formação de cristais de gelo. Ainda assim, cristais se formam dentro do corpo, desidratando as células. A respiração e o coração param, e o cérebro desliga. Ao descongelar, o metabolismo é reativado. Esse mecanismo permite que o peixe evite predadores e não precise se alimentar no inverno.
Genoma revela genes chave
Comparando os genomas, os pesquisadores descobriram que um grupo de genes reduz sua atividade, diminuindo a produção de proteínas e enzimas ligadas ao consumo de energia. Outro grupo aumenta a atividade, produzindo moléculas que protegem as células. Também foram encontrados genes que alteram a estrutura das membranas e do citoesqueleto, embora sua função exata ainda seja desconhecida. O estudo é preliminar e o processo é complexo.
Vantagem evolutiva e invasão
Essa capacidade dá ao Amur sleeper uma vantagem enorme. Ele se espalha pelo norte da Ásia e já foi detectado em países nórdicos, onde é considerado espécie invasora. O peixe pode atingir 20 cm e 250 g, sendo maior que outros vertebrados que sobrevivem ao congelamento, como sapos e lagartos.
Para humanos, a criônica busca congelar corpos após a morte na esperança de futura reanimação. Até hoje, nenhum mamífero foi descongelado com sucesso, mas o Amur sleeper mostra que mecanismos biológicos para isso existem.



