Mundo só de mulheres: cientificamente possível após experimento com camundongos
Mundo só de mulheres: possível após experimento com camundongos

Um experimento científico com camundongos abriu caminho para uma distopia cientificamente plausível: uma sociedade humana composta apenas por mulheres. Pesquisadores conseguiram gerar filhotes saudáveis a partir de duas fêmeas, sem qualquer contribuição masculina, transformando células femininas em espermatozoides funcionais.

O experimento que eliminou os machos

Cientistas retiraram células de camundongos fêmeas e, por meio de manipulações laboratoriais, induziram-nas a se transformar em espermatozoides. Esses espermatozoides, contendo apenas o cromossomo X, foram usados para fecundar óvulos de outras fêmeas, também portadores do cromossomo X. Os embriões resultantes foram implantados em úteros femininos e geraram filhotes saudáveis – todos do sexo feminino. O processo, descrito na revista Nature em 2022, teve uma taxa de sucesso de cerca de 1%, mas demonstrou a viabilidade da reprodução sem machos.

Base genética da nova reprodução

Nos mamíferos, a reprodução normalmente exige a cooperação entre machos (produtores de espermatozoides) e fêmeas (produtoras de óvulos e gestantes). No entanto, o experimento mostrou que é possível gerar espermatozoides a partir de células femininas, contendo apenas o cromossomo X. Como os óvulos também carregam o X, todos os descendentes são fêmeas (XX). Isso significa que, em uma sociedade que adotasse esse método, não nasceriam mais machos, e o cromossomo Y desapareceria gradualmente.

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Implicações para uma sociedade feminina

Em um mundo habitado exclusivamente por mulheres, casais femininos poderiam se revezar nos papéis de doadora de células para espermatozoides e doadora de óvulos e útero, tornando a reprodução simétrica. “Se esse modo reprodutivo, cientificamente possível, for adotado pelas mulheres, os homens deixarão de nascer e o cromossomo Y desaparece da face da terra quando o último dos homens, agora totalmente inútil, for enterrado”, escreve o biólogo Fernando Reinach, autor da reflexão. Ele sugere que a história do último homem em busca de uma parceira para reprodução sexual renderia um romance.

Comparação com outros avanços genéticos

O estudo também reportou a criação de camundongos a partir de dois pais machos, mas nesse caso as fêmeas ainda eram necessárias para a gestação. Já a reprodução entre fêmeas dispensa completamente os machos, tanto na produção de gametas quanto no desenvolvimento fetal. “Cientistas retiraram células de camundongos fêmeas e, através de diversas manipulações, conseguiram que elas se transformassem em espermatozoides”, detalha Reinach.

Utopia ou distopia?

O autor pondera que, dadas as críticas à masculinidade tóxica e à violência de gênero, uma sociedade sem homens poderia eliminar o feminicídio e tornar “todos os dias o dia da mulher”. No entanto, a viabilidade científica não implica desejabilidade moral. A ficção científica frequentemente explora distopias baseadas em avanços reais, e este cenário é um exemplo de como a genética pode moldar futuros radicalmente diferentes.

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