Medicina fetal detecta se bebê recebe poucos nutrientes
Medicina fetal detecta nutrientes insuficientes no bebê

Uma nova técnica de medicina fetal desenvolvida por pesquisadores brasileiros permite detectar se o bebê está recebendo quantidade insuficiente de nutrientes durante a gestação. O método, que combina ultrassom de alta resolução e análise de fluxo sanguíneo placentário, identifica precocemente a restrição de crescimento intrauterino (RCIU), condição que afeta cerca de 10% das gestações no Brasil.

Como funciona a detecção

De acordo com o Dr. Carlos Eduardo, coordenador do estudo no Instituto de Medicina Fetal de São Paulo, a técnica avalia a resistência vascular na artéria umbilical e o padrão de fluxo sanguíneo no cérebro fetal. “Quando o bebê não recebe nutrientes suficientes, o fluxo sanguíneo se redistribui para priorizar órgãos vitais, como o cérebro. Conseguimos captar essa adaptação com precisão”, explicou o médico.

O exame é realizado a partir da 24ª semana de gestação e tem sensibilidade de 92% para detectar casos de desnutrição fetal. Em comparação, o ultrassom convencional tem sensibilidade de cerca de 70%.

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Impacto na saúde do bebê

A restrição de crescimento intrauterino está associada a maior risco de complicações neonatais, como baixo peso ao nascer, hipoglicemia e problemas neurológicos. Com a detecção precoce, os médicos podem intervir com suplementação nutricional materna, repouso e monitoramento intensivo. “Em 85% dos casos diagnosticados precocemente, conseguimos reverter o quadro com intervenções simples”, afirmou o Dr. Carlos Eduardo.

O estudo, patrocinado pela DINO, acompanhou 200 gestantes entre 2024 e 2025. Os resultados mostraram que a intervenção precoce reduziu em 40% a incidência de baixo peso ao nascer (menos de 2.500 g) e em 30% as internações em UTI neonatal.

Disponibilidade no SUS

A técnica já está disponível em clínicas particulares de São Paulo e Rio de Janeiro, mas a expectativa é que seja incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em até dois anos. O Ministério da Saúde avalia os custos e a capacitação de profissionais para ampliar o acesso.

“Nosso objetivo é tornar esse exame parte do pré-natal de rotina, especialmente em regiões com alta incidência de desnutrição materna”, completou o pesquisador.

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