A descontinuação do papel Ivory, produzido pela BO Paper, gerou preocupação no mercado editorial brasileiro. O produto era um dos principais concorrentes do Pólen, da Suzano, e havia ganhado espaço entre editoras durante a pandemia, quando a demanda por livros cresceu e o Pólen enfrentou escassez.
Impacto nas editoras
Diversas editoras adotaram o Ivory por seu custo-benefício e vantagens logísticas, como menor gramatura e boa opacidade, que permitem redução de custos de frete e armazenamento. Com o fim do papel, essas editoras temem depender exclusivamente do Pólen, o que poderia levar a aumento de preços e menor poder de negociação.
Segundo fontes do setor, a concentração de mercado já é uma realidade: a Suzano, maior produtora de papel do Brasil, adquiriu recentemente a Ibema, ampliando sua participação no segmento de papéis para impressão. A compra foi aprovada pelo Cade, mas gerou debates sobre possíveis efeitos anticoncorrenciais.
Reação do mercado
“A saída do Ivory deixa as editoras reféns de um único fornecedor”, afirmou um executivo de uma grande editora, sob condição de anonimato. “Isso pode encarecer o livro no Brasil, num momento em que o setor já enfrenta alta de custos.”
A BO Paper não comentou oficialmente os motivos da descontinuação. Especula-se que a decisão esteja ligada a problemas de abastecimento de matéria-prima ou reestruturação da empresa.
Perspectivas futuras
Editoras já buscam alternativas, como papéis importados ou de outras fábricas nacionais, mas a qualidade e o preço do Ivory eram difíceis de igualar. A Associação Brasileira de Editores (Abre) informou que acompanha o caso e deve se reunir com a Suzano para discutir garantias de abastecimento e preços justos.
O mercado editorial brasileiro, que produziu cerca de 400 milhões de livros em 2025, depende fortemente de papéis especiais para impressão. Qualquer desequilíbrio na oferta pode afetar a produção e o preço final ao consumidor.



