IA supera técnicos em exames de ecocardiograma
IA supera técnicos em exames de ecocardiograma

Um estudo publicado na revista Nature demonstra que sistemas de inteligência artificial (IA) são mais precisos que técnicos humanos especializados na medição da fração de ejeção do coração, um parâmetro crucial para avaliar a função cardíaca e definir tratamentos. A pesquisa sugere que, em breve, a IA poderá substituir parte do trabalho intelectual desses profissionais.

Como funciona a medição da fração de ejeção

O coração humano possui duas bombas: o lado direito recebe sangue do corpo e o envia aos pulmões; o lado esquerdo, maior, bombeia o sangue oxigenado para todo o organismo. O ventrículo esquerdo, uma cavidade muscular, se enche de sangue (cerca de 142 ml em pessoas saudáveis) e, ao contrair, ejeta aproximadamente 95 ml, mantendo 47 ml residuais. A fração de ejeção é a razão entre o volume ejetado e o volume total, normalmente em torno de 0,67. Valores menores indicam enfraquecimento do músculo cardíaco, como após um infarto.

No exame de ecocardiografia, um técnico especializado seleciona imagens do ventrículo no momento de maior enchimento e no pico da contração. A partir dessas imagens, mede distâncias para estimar os volumes e calcular a fração de ejeção. Porém, a escolha dos pontos de medição é subjetiva e depende da experiência do profissional. Por isso, geralmente um técnico experiente realiza as medidas e um cardiologista as revisa.

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O estudo comparativo entre IA e técnicos

Pesquisadores desenvolveram um sistema de IA capaz de realizar todo o processo automaticamente. Para comparar seu desempenho com o de técnicos humanos, foram utilizados 3.769 exames de ecocardiograma de diferentes pacientes. Após descartar 274 por baixa qualidade, 1.755 foram analisados por técnicos com média de 14 anos de experiência, e 1.740 foram processados pelo sistema de IA.

Todos os dados (imagens, pontos escolhidos, medidas) foram revisados por cardiologistas com média de 13 anos de experiência, que desconheciam a origem das medições – se humanas ou da IA. Os cardiologistas podiam modificar os dados se identificassem problemas. Após a revisão, o sigilo foi quebrado e os resultados comparados.

Resultados: IA tão boa ou melhor que humanos

Os cardiologistas foram incapazes de distinguir se as medições haviam sido feitas pela IA ou por técnicos. Além disso, precisaram revisar um número menor de exames processados pela IA. A análise posterior mostrou que o sistema de IA realiza as medições tão bem quanto, ou ligeiramente melhor, que os técnicos experientes.

Segundo os autores, “o estudo demonstra que é possível substituir técnicos muito experientes por um sistema de IA, que erra menos e é mais barato”. Isso permitiria que os cardiologistas se concentrassem apenas na revisão dos dados, eliminando a etapa de medição manual.

Impacto no mercado de trabalho

Esse é um exemplo claro de como a IA pode substituir trabalho intelectual que exige anos de treinamento. A pesquisa mostra que é possível comparar objetivamente uma atividade intelectual humana com a mesma tarefa executada por IA. A grande questão, apontam os pesquisadores, é quantos postos de trabalho desaparecerão nos próximos anos em diversos setores da economia.

O estudo completo foi publicado na Nature com o título “Blinded, randomized trial of sonographer versus AI cardiac function assessment”.

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