Drones termais reduzem em 20 vezes tempo para encontrar animais noturnos
Drones termais reduzem em 20 vezes busca por animais noturnos

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma técnica inovadora que utiliza drones equipados com câmeras térmicas para localizar animais noturnos, especialmente mamíferos arborícolas como porcos-espinhos. A tecnologia reduz em até 20 vezes o tempo necessário para encontrar esses animais, passando de 2 horas para apenas 8 minutos em média.

Como funciona a tecnologia

O estudo, conduzido por cientistas das universidades Estadual do Ceará (Uece), Federal do Ceará (UFC), Estadual do Norte Fluminense (UENF), Federal de Viçosa (UFV), Estadual de Santa Cruz (UESC) e da empresa Seteg Soluções Ambientais, começou em 2022 e teve seus resultados publicados neste ano na revista Global Ecology and Conservation. Os voos são realizados durante a madrugada para evitar o calor do Sol, que atrapalha o contraste térmico das imagens.

O biólogo Igor Gutierrez, autor principal do artigo, relatou que no primeiro voo teste na Serra de Baturité, a cerca de 100 km de Fortaleza, o animal foi encontrado em menos de 2 minutos. "Isso foi impressionante, pois sabíamos da dificuldade de encontrar essa espécie, principalmente por se tratar de um animal que passa grande parte da vida no topo das árvores, em locais quase inacessíveis ao olhar humano, muitas vezes exigindo mais de 19 horas de busca a pé na mata para localizar um único indivíduo", contextualiza.

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Resultados e eficiência

O estudo detectou 18 indivíduos de três espécies diferentes e comparou 198 minutos de voo com drone a 4.414 minutos de busca terrestre, demonstrando uma eficiência muito superior. A tecnologia é especialmente útil para monitorar o porco-espinho-de-baturité, espécie catalogada pela primeira vez no Ceará em 2013, conforme noticiado pelo g1 CE.

"Ficou claro que não estávamos apenas otimizando o tempo, mas também os custos envolvidos. Isso permite acelerar projetos de conservação, estudos de licenciamento ambiental, resgates de fauna e o monitoramento ambiental. A maior satisfação é a de saber que estamos trabalhando na intersecção entre ciência, tecnologia e conservação da biodiversidade", afirmou Igor Gutierrez.

Aplicações na conservação

Hugo Fernandes, coordenador da pesquisa, destaca que a tecnologia pode ser aplicada em projetos de conservação e facilitar a tomada de decisões dos órgãos de meio ambiente. "É muito comum animais arborícolas sofrerem acidentes nesse processo. Os drones vão permitir que eles sejam resgatados antes disso, garantindo a proteção animal e também economia de recursos despendidos para sua recuperação", acrescenta.

As missões foram realizadas entre 17h e 22h, período de maior atividade dos porcos-espinhos, com voos a altitudes entre 10 e 20 metros acima do dossel das florestas. Quando uma assinatura térmica era detectada, o drone era aproximado lentamente para evitar estresse ao animal, e uma câmera RGB confirmava visualmente a espécie.

Desafios e futuro

Apesar dos benefícios, a tecnologia ainda é financeiramente inacessível, com custos variando entre R$ 70 mil e R$ 350 mil, e exige treinamento específico. O próximo passo da pesquisa, já em andamento, é combinar o drone termal com inteligência artificial para detecção e quantificação automática. "Acredito que podemos trabalhar com algoritmos de detecção e quantificação automática, o que pode vir a otimizar cada vez mais a forma como trabalhamos hoje", conclui Hugo Fernandes.

O pesquisador também alerta para a importância da fiscalização para evitar o uso dos equipamentos para caça. "É um equipamento caro, mas que aos poucos vem se tornando uma realidade nas mãos de instituições públicas e privadas que trabalham para a conservação da biodiversidade. A tendência é que com o tempo isso se torne mais acessível dada a competição de mercado", frisa.

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