Um novo estudo investigou os sonhos de pessoas com afantasia visual – condição em que não se consegue visualizar imagens mentalmente – e descobriu que, embora muitos tenham sonhos visuais vívidos, outros não. A pesquisa, publicada por Derek Arnold e Loren N. Bouyer, revela que as experiências imaginadas durante a vigília geralmente correspondem ao conteúdo dos sonhos, mas há exceções.
O que é afantasia visual?
Pessoas com afantasia visual não conseguem criar imagens mentais voluntariamente. Derek Arnold, um dos autores, relata que não visualiza personagens ao ler livros, mas consegue imaginar músicas. Já Loren Bouyer tem uma mente silenciosa: não ouve sons nem vozes internas, mas experimenta sensações táteis, gustativas e olfativas imaginárias. Essa diversidade também se reflete nos sonhos.
Sonhos de afantásicos: visuais ou não?
No estudo, 84 pessoas com afantasia e 121 sem a condição relataram seus sonhos e experiências imaginadas acordadas. Derek, por exemplo, tem sonhos visuais e auditivos, mas sem tato, paladar ou olfato. Loren, por outro lado, não tem sonhos visuais nem auditivos; seus sonhos são lúcidos, com sensações de textura e movimento. “Descobrimos que as pessoas com afantasia tendem a relatar experiências imaginadas semelhantes tanto nos sonhos quanto acordadas”, afirmam os autores.
Diferenças entre indivíduos
Alguns afantásicos relataram não haver correspondência entre sonhos e imaginação acordada. Isso sugere que o cérebro pode falhar em gerar certos tipos de sensações oníricas, independentemente do estado. “Alguns argumentam que os cérebros de afantásicos podem gerar imagens, mas a percepção falha quando acordados. Nossa pesquisa aponta outra possibilidade: alguns cérebros simplesmente não criam certas sensações”, explicam.
Sonhos de pessoas sem afantasia também variam
O estudo mostrou que 37% das pessoas sem afantasia nunca têm sensações olfativas em sonhos, e 33% nunca têm sensações táteis. Houve ainda relação entre conteúdo onírico e imaginação cotidiana: quem frequentemente cheira coisas em sonhos tende a imaginar cheiros acordado. “Se você perguntar a familiares, eles dirão que têm combinações diferentes de sensações oníricas”, destacam os pesquisadores.
Importância da pesquisa
Compreender essas diferenças pode ajudar a desvendar como o cérebro cria experiências conscientes. Além disso, a visualização é usada em tratamentos psicológicos, e não se sabe se afantásicos se beneficiam dela. Na educação, professores incentivam crianças a visualizar, mas a proporção das que não conseguem é desconhecida. “Esperamos explicar por que algumas pessoas conseguem imaginar o cheiro do jantar antes de cozinhar”, concluem.



