O virologista Christopher Buck, do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI), desenvolveu uma inovadora 'cerveja vacinal' que pode substituir as vacinas injetáveis tradicionais. A bebida, produzida ao inserir vacinas em leveduras, demonstrou capacidade de gerar anticorpos contra o poliomavírus BK, um patógeno que afeta pessoas imunossuprimidas.
Como funciona a cerveja vacinal
Buck utilizou leveduras geneticamente modificadas para expressar proteínas do vírus BK. Ao fermentar a cerveja, as leveduras produzem partículas semelhantes ao vírus (VLPs), que estimulam o sistema imunológico sem causar infecção. O método aproveita a tradição milenar da fermentação para criar uma vacina oral de baixo custo e fácil administração.
A pesquisa, publicada no repositório Zenodo em 29 de junho de 2026, mostrou que camundongos que consumiram a cerveja desenvolveram anticorpos neutralizantes contra o BK. Segundo Buck, 'a resposta imune foi comparável à obtida com vacinas injetáveis, sem efeitos colaterais aparentes'.
Potencial e desafios
A abordagem promete revolucionar a vacinação em regiões sem infraestrutura médica, eliminando a necessidade de agulhas e refrigeração. No entanto, a comunidade científica recebeu a descoberta com ceticismo. Especialistas apontam que a dose exata do antígeno na cerveja é difícil de controlar, e há preocupações com a segurança a longo prazo.
'É uma ideia criativa, mas precisamos de mais estudos para garantir que a cerveja vacinal não cause tolerância imunológica ou reações adversas', alertou a Dra. Maria Silva, imunologista da Universidade de São Paulo, em entrevista ao Notícias do Brasil.
Próximos passos
Buck planeja testar a cerveja em humanos nos próximos anos, buscando parcerias com cervejarias artesanais para produção em escala. Se bem-sucedida, a tecnologia poderia ser adaptada para outros vírus, como HPV e hepatite B. 'Estamos apenas arranhando a superfície do potencial das vacinas comestíveis', afirmou o pesquisador.



